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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Como é estar apaixonada?

"– Como é estar apaixonada? 
– É a coisa mais maravilhosa e mais terrível que pode acontecer-nos. Sabes que encontraste algo de incrível e queres mantê-lo contigo para sempre; e a todo o instante, depois de o alcançares, temes o momento em que poderás perdê-lo.

Suspirei baixinho. Ela estava absolutamente certa."

in A Elite, de Kiera Cass

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Parte o copo

«Então, soltei uma das mãos, peguei num copo e coloquei-o na borda da mesa.
— Vai cair. — disse ele.
— Exacto. Quero que tu o derrubes. — Partir um copo? Sim, partir um copo. Um gesto aparentemente simples, mas que envolvia pavores que nunca chegaremos a perceber. O que há de errado em partir um copo barato – quando todos nós já o fizemos, sem querer, pelo menos uma vez na vida?
— Partir um copo? — repetiu ele. — Porquê?
— Posso dar algumas explicações. — respondi. — Mas, na verdade, é apenas por partir.
— Por ti?
— Claro que não.
Ele olhava para o copo de vidro na borda da mesa – preocupado que ele caísse.
“É um ritual de passagem, como tu dizes”, tive vontade de dizer. “É o proibido. Copos não se partem de propósito. Quando entramos em restaurantes, ou em nossas casas, temos cuidado para que os copos não fiquem na borda das coisas. O nosso universo exige que tomemos cuidado para que os copos não caiam ao chão.”
No entanto, continuei a pensar, quando os partimos sem querer, vemos que não foi tão grave assim. O empregado diz “Não tem importância” e nunca na minha vida vi os copos partidos serem incluídos na conta de um restaurante. Partir copos faz parte da vida e não causamos nenhum dano a nós próprios, ao restaurante ou ao próximo.
Eu dei um empurrão à mesa. O copo balançou mas não caiu.
— Cuidado! — disse ele, instintivamente.
— Parte o copo — insisti eu.
Parte o copo, pensava comigo mesma, porque é um gesto simbólico. Procura entender que eu parti dentro de mim coisas e estou feliz por isso. Olha para a tua própria luta interior e parte esse copo.
Porque, os nossos pais ensinaram-nos a ter cuidado com os copos e com os corpos. Ensinaram-nos que as paixões de infância são impossíveis, que não devemos afastar homens do sacerdócio, que as pessoas não fazem milagres e que ninguém vai em viagem sem saber para onde vai.
Parte esse copo, por favor – e liberta-nos de todos esses malditos conceitos, essa mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros aprovam.
— Parte esse copo — pedi mais uma vez.
Ele fixou os seus olhos nos meus. Depois, devagar, deslizou a sua mão pelo tampo da mesa, até tocá-lo. Num movimento rápido, empurrou-o para o chão.»


in Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei, de Paulo Coelho

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Opinião: Looking for Alaska, de John Green

Looking for Alaska

John Green (leitura no Kindle)


Sinopse: "Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa." Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada… e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional. Nunca mais nada será o mesmo.


Opinião
Li o livro Looking for Alaska há cerca de dois meses e ainda não tenho uma opinião totalmente formada sobre ele. Creio que este é daqueles livros que leva o seu tempo a ser absorvido, que vai deixando restos de si, de forma a que, algum tempo depois, quando nos lembramos dele, lembramo-nos apenas daquilo que mais nos tocou.
Não foi de todo dos melhores livros que já li e o ritmo do livro, aliado ao facto de não me ter identificado em nada com as personagens, levou a que fosse mais difícil para mim entrar na história. Por outro lado, captei momentos de pura sensibilidade, momentos de nós, leitores, levarmos murros no estômago e momentos de realização em que nada volta a ser como foi. Um livro que lida de perto com a inconsciência e a parvoíce juvenis, a inocência da primeira amizade, do primeiro amor, a loucura e a invencibilidade aliada à dor do crescimento e às aprendizagens da vida.
Miles conta-nos a sua história: um jovem sem amigos e sem propósito que vai para um colégio interno onde estabelece uma estranha relação de amizade com o seu colega de quarto e com Alaska Young, por quem se apaixona perdidamente. Mas Alaska, linda, inteligente e muito perturbada, parece inalcançável e Miles tudo fará para a descobrir, para a compreender, para lhe sobreviver.
Para Miles, a história divide-se em Antes e Depois. Para mim, fica a mensagem essencial: há sempre um antes, há sempre um depois e há que aprender a viver com isso seja em que idade for. E é essa verdade, contada de forma brutal, contada de forma suave, que fica por entre as páginas do livro, que perdura meses depois de o ter lido. Há sempre um ponto de viragem nas nossas vidas. O que fazemos com isso é que determina quem nós somos e quem seremos no futuro, é que nos torna adultos.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Opinião: O pintor debaixo do lava-loiças, de Afonso Cruz

O pintor debaixo do lava-loiças

Afonso Cruz (Caminho)

Sinopse: A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro-Húngaro, que emigrou para os Estados Unidos e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

Opinião
Há já muito tempo que andava curiosa com os livros de Afonso Cruz. Um autor que nos apresenta títulos tão criativos como "Jesus Cristo bebia cerveja", "Para onde vão os guarda-chuvas" ou "O pintor debaixo do lava-loiças", só pode ter conteúdos cheios de talento e inspiração. Tida a oportunidade de pegar neste livrinho, pude comprová-lo: Afonso Cruz é um autor para se ler com o coração e não com a cabeça. A poesia das suas palavras escorre-se nas páginas, a criação das personagens que não são bem reais (roçam ali o linear de estereótipo) mas que são belíssimas e profundas na sua complexa simplicidade, a harmonia de uma história contada em episódios, mais do que em narrativa corrida.
O conto acompanha a vida do artista Jozef Sors, uma alma atormentada desde a infância, em luta contra as tentações do mundo e que é apanhado pela vida e pelos turbulentos acontecimentos socio-políticos da primeira metade do século XX. Apesar de a personagem principal não me ter cativado, o mesmo não posso dizer do pequeno leque de personagens que a acompanham, com as suas idiossincrasias e as suas posições perante a vida (por exemplo, o pai de Jozef Sors, que não acredita e não percebe metáforas).
Não tenho por hábito riscar nem sublinhar livros e, neste caso, não podia mesmo uma vez que o livro não era meu, mas ficou-me a gigantesca vontade de guardar pedaços de frases, marcar parágrafos inteiros, dobrar páginas para mais tarde encontrar aquelas mesmas palavras que me falaram à alma. Entre elas, destaco esta descrição dos pais de Sors (sendo o pai muito alto e a mãe muito baixa): Quando se querem beijar demoram muitos dias, pois o meu pai tem de se baixar desde as nuvens até ao chão e isso demora muito, especialmente para quem sofre das costas. A chuva consegue fazê-lo com rapidez, mas não tem costas. Porém, quando eu olho para eles, são quase da mesma altura. Para mim é evidente: o amor aproxima as pessoas e ficamos todos do mesmo tamanho.
Um livro pequeno apenas em tamanho, uma leitura deliciosa. O meu primeiro livro de Afonso Cruz, mas seguramente não o último!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Frases nos livros #7

A citação de ontem, embora verdadeira, trazia consigo todo o peso das emoções fortes e incontornáveis. Trazia o peso da dor, essa que exige ser sentida e que, quando escondida e ignorada, nos corrói por dentro e por fora. Cada qual sente a dor à sua maneira e nunca sabemos verdadeiramente quais são as dores dos outros. Sabemos apenas das nossas, das que admitimos e das que ocultamos, mas que, apenas na solidão da nossa própria companhia, sentimos sempre.

Mas se a verdade é que o livro A Culpa é das Estrelas, de John Green, nos fala da dor, também é verdade que nos fala do amor e de tudo o que ele traz consigo. E por isso, para aliviar os ares aqui do blogue, hoje deixo-vos com esta citação, da mesma personagem, da mesma obra, do mesmo autor:


“I’m in love with you, and I’m not in the business of denying myself the simple pleasure of saying true things. I’m in love with you, and I know that love is just a shout into the void, and that oblivion is inevitable, and that we’re all doomed and that there will come a day when all our labour has been returned to dust, and I know the sun will swallow the only earth we’ll ever have, and I am in love with you.”
in The Fault in Our Stars, de John Green

terça-feira, 27 de maio de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Frases nos livros #5

O mundo inteiro puxa-nos para baixo, mas as mãos de quem gosta de nós atiram-nos para o alto. Sem se cansarem.
in O pintor debaixo do lava-loiça, 
de Afonso Cruz

sexta-feira, 21 de março de 2014

Procrastinação




Com duas opiniões de leituras em atraso (isto se não contarmos os livros infantis da Sophia) e as páginas d'A Sombra do Vento a voarem velozes nas minhas mãos, está a tornar-se óbvio a minha procrastinação em relação a este assunto.
A culpa não é... não, esperem! A culpa é inteiramente minha! Porque ando super preguiçosa e sem vontade nenhuma de fazer aquilo a que me propus quando iniciei o blogue: escrever um post  por dia e uma opinião por cada livro que lesse.
Mas a culpa também é um bocadinho dos dois últimos livros que li. Não me apaixonaram, não me envolveram para lá das suas páginas, não me tornaram sua. E, quando um livro se limita a ficar assim meio morno nas nossas mãos, torna-se difícil saber o que dizer sobre ele. Ainda para mais não querendo revelar pormenores que podem estragar as leituras de quem vem a seguir...
Felizmente, estas páginas que agora leio devoram-me, despem-me do mundo em meu redor e trazem-me embeiçada por elas (houvesse mais tempo para ler e o livro já tinha terminado há muito). Bem me tinham avisado que A Sombra do Vento é um livro muito forte, uma história poderosa e tremendamente bem escrita. Não foi amor à primeira vista, tanto que durante anos repousou na minha estante intocado, mas é um amor cada vez mais forte. É bom, é muito bom, é como um amor se quer: intenso, apaixonado, nada de meios termos, de histórias e de personagens mornas e de páginas que teimam em prolongar-se para além da sua vida. Estas voam, velozes, e à medida que as vejo chegar ao fim começo a sentir a saudade que este livro vai deixar, um livro que me vai provocar ressaca durante alguns dias, em que serei incapaz de pegar noutro. Até por fim iniciar outra leitura, que espero que me arrebate de igual forma. 
“Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.”
in A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

Este não foi o primeiro livro que abriu caminho até ao meu coração. Mas é um dos que lá vai ficar sempre.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Frases nos livros #4

- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.
- Mas o que é a saudade? - perguntou a Menina do Mar.
- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora. 
in A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Do amor para sempre...

Não acredito no amor à primeira vista(*), mas acredito no amor para sempre. 

Não acredito em amor e uma cabana, mas acredito que o amor é a maior força deste mundo e é capaz de curar qualquer mal, inclusive males de amor. 

Não acredito na anulação do «eu» para que haja o «nós», mas acredito que o «nós» torna o «eu» mais completo e mais rico.

Acredito que o amor não pode ser explicado, apenas sentido. Que é capaz de milagres e de transformar vidas. Que, quando nos envolve, muda tudo e nunca mais voltamos a ser quem éramos.

Mas também acredito que o amor é uma escolha, é uma decisão. E que, apesar de ser simples na sua génese, as pessoas não o são. E, por causa da complexidade das pessoas, as relações são igualmente complexas e nem sempre funcionam. Mas que não faz mal, porque é graças à sua complexidade que o ser humano se permite amar várias vezes. E isso também é uma escolha. Porque está em nós escolher o que nos faz bem e nos deixa felizes! 

Casei com o meu primeiro grande amor. Quero que ele seja o último. Ele faz-me feliz. Escolho-o a ele, sempre. Amo-o, sempre. Uma vez disse-lhe que o amava mesmo quando não gostava dele. E é verdade, mas também porque escolho amá-lo mesmo assim, mesmo nesses dias. E ele escolhe-me a mim!

I fell in love with him. But I don’t just stay with him by default as if there’s no one else available to me. I stay with him because I choose to, every day that I wake up, every day that we fight or lie to each other or disappoint each other. I choose him over and over again, and he chooses me.
in Allegiant, de Veronica Roth 



(*) Mas acredito em almas gémeas que se reconhecem. Um dia conto-vos.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Frases nos livros #3


Lírio tinha razão. Saber sempre o que acontecia no dia seguinte podia ser uma autêntica prisão.
Ler a alma das pessoas através dos olhos também o era.

in A Morte quer-me tão bem, de Fábio Ventura 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Frases nos livros #2

 Quando se viaja com a Morte ao lado, a irónica tendência é para se pensar na vida.

in A Morte quer-me tão bem, de Fábio Ventura 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Frases nos livros #1

Que haja um tempo no futuro, rezei, em que ele se ria com os seus filhos e em que brinque na praia com eles e em que passe todas as suas noites em braços carinhosos. Que tenhamos isso. A quem eu rezava, não havia como saber. O futuro estava nas nossas mãos. Se queríamos um mundo em que essas coisas eram possíveis, caber-nos-ia a nós construí-lo.
in O Voo do Corvo, de Juliet Marillier