segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ser mãe quando não o somos

Há muitas formas de ser mãe. Há as mães que o desejam durante muito tempo e aquelas que nem têm tempo para pensar no assunto antes de a vida lhes dar um presente. Há quem se torne mãe dos filhos dos outros e os acolha como se fossem seus. Há as mães que são mães de colo vazio, aquelas que tiveram o sonho nas mãos e na barriga durante algum tempo, mas que não se chegou a concretizar; e aquelas que não chegam a viver o sonho apesar de muito o desejarem.
Há muitas formas de ser mãe. Como dizia a poeta: A partir do momento em que és mãe, sempre foste mãe.
Hoje, e a propósito de um comentário que deixei no blogue E agora? Sei lá!, pensei nas mães que já o são antes de o serem. Que tomam as decisões da sua vida em prol dos filhos que ainda não têm. Mesmo que a decisão seja a de não ter filhos. A mim parece-me que uma mulher que pensa: "Posso (ter filhos) mentalmente? Posso fisicamente? Posso financeiramente? Tenho as condições mínimas que mo permitem?" está já a ser uma boa mãe. Porque está a pôr o bem estar do seu filho que ainda não existe à frente do seu desejo egoísta de querer ser mãe e ter um filho. Está a analisar as circunstâncias da sua vida e a ponderar o melhor para a sua família. E ser mãe não é mais do que isso. Mesmo quando a resposta é não, não posso (neste momento, agora, nunca!). 
As razões não interessam, as justificações não são devidas. Cada mulher (e homem) deveria poder abraçar a maternidade quando quisesse e se sentisse preparada para isso, sem imposições da sociedade, sem pressões da família e amigos. É verdade que não há alturas certas para nada, mas também é verdade que ter filhos não é como comprar uma coisa com prazo de devolução de 30 dias. É uma decisão para a vida e é uma verdadeira roleta russa: tanto nos pode sair o Nenuco como um diabinho em modo choro permanente. E, em caso de nos sair o último, até as mães que sempre o desejaram ser se veem muitas vezes em desespero.
Quando tomamos a decisão de ter filhos, quando tomamos a decisão de ser mães... não importa quando tempo demore até os filhos chegarem, não importa se eles nunca chegarem. Somos mães. Desde sempre. Para sempre. Em nós, no nosso coração, nos nossos sonhos. Porque a maternidade é muito mais do que apenas o lado biológico da vida. 


domingo, 30 de julho de 2017

quinta-feira, 27 de julho de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Quem teve a ideia de vir de carro para o trabalho, quem foi?!

Entro de férias daqui a uns dias e fiquei sem passe no final da semana passada. Por tão pouco tempo, não justificava comprar o passe de comboio, que é só assim coisa para ultrapassar os 100 €. OK, são férias escolares, não estou em período complicado no trabalho, estou sem filho, vamos de carro. Dez dias a atravessar a ponte sobre o Tejo, de manhã e à tarde.
Ainda só vou no terceiro dia e já perdi a conta ao número de vezes que amaldiçoei esta peregrina ideia! Não ganho tempo nenhum, não venho descansada, não consigo ler o meu livro, fico incontáveis minutos presa no trânsito porque há milhentos acidentezinhos pequeninos, ligeiras distrações, pessoas que vão a olhar para o lado e já estão a dar beijinho no carro da frente, fittipaldis que se metem de repente à frente dos outros, chicos-espertos que acham que as filas são para furar lá bem à frente, chateando tudo e todos. Enfim... Passaram três dias e eu já estou farta e arrependida. Sim, vou poupar dinheiro. Mas acho que estou a perder anos de vida com todo este stress. Agora é aguentar e relativizar. Mas, por favor, alguém me dê uma marretada se eu alguma vez tiver vontade de repetir a experiência, sim?


terça-feira, 25 de julho de 2017

Desculpe, Sr. Rui Veloso

Desculpe, Sr. Rui Veloso, mas não posso concordar consigo. Eu bem que adoro esta sua canção, acho que foi das primeiras que aprendi de fio a pavio, ainda hoje a sei de cor e salteado. Mas ela encerra uma grande, tremenda mentira e eu não posso ficar impune.

Não se ama alguém que não ouve a mesma canção.

Ama-se. Ama-se sim, Sr. Rui Veloso. Ama-se porque o amor é muito mais do que apenas isso. Se me disser que não se ama alguém que não ouve a mesma canção e não vê os mesmos filmes, não come as mesmas comidas, não aprecia as mesmas viagens, não gosta das mesmas pessoas, não tem os mesmos objetivos de vida... Admito que a relação fica com muito pouco por onde sobreviver. Mas, como filha de pais com mais de trinta anos de casamento, cujos gostos musicais não podiam ser mais diferentes, tenho em mim e à minha volta exemplos verdadeiros que demonstram a falácia que é esta frase.
O amor é muito mais que a soma (ou subtração) das partes. E quando há mais partes a somar que a subtrair, então o amor é ainda maior, encontra o seu equilíbrio entre o eu e o tu e o nós, deixa-nos ser unos sem perdemos a individualidade que é nossa e que nos permite gostar muito daquela canção que o outro não suporta nem um bocadinho, reveste o outro de respeito e aceitação pelas nossas escolhas que são tão diferentes das dele. Sim, eu acho que o meu marido gostar de correr quilómetros e quilómetros faz dele um maluquinho, mas amo-o mesmo assim. Já ele acha que eu sou masoquista ao ver continuamente 13 temporadas de Anatomia de Grey e continuar a chorar baba e ranho com aquelas personagens, mas não me chateia com isso. Nem nos chateamos quando gostamos da música que o outro não gosta.
E, sim, já fomos a concertos apenas pela companhia e não pela música. Quer eu, quer ele. Mas nunca o fizemos por uma imposição - nem nunca quisemos fazer o outro sentir-se obrigado a ir. Isso já entra na área da manipulação, mais ou menos como tentar mudar o outro, empenhar um anel para ir a um concerto que já sabemos de antemão que o outro não vai gostar sem que ele queira ir. Será que se pensarmos a música ao contrário não vamos sentir alguma solidariedade com a moça que se viu quase aprisionada tipo lebre a ser perseguida: mas por que raio é que ela tinha de gostar daquela música?! Se calhar eu também fugia...
Ainda assim, continua a ser uma das minhas músicas preferidas de sempre :) 


A Paixão (segundo Nicolau da Viola)
Rui Veloso

Tu eras aquela que eu mais queria
P'ra me dar algum conforto e companhia
Era só contigo que eu sonhava andar
P'ra todo o lado e, até quem sabe, talvez casar

Ai o que eu passei só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a força da música ele se moveu

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto
Que havia no Rivoli

E era só a ti que eu mais queria
Ao meu lado no concerto nesse dia
Juntos no escuro de mão dada a ouvir
Aquela música maluca sempre a subir

Mas tu não ficaste nem meia hora
Não fizeste um esforço p'ra gostar e foste embora
Contigo aprendi uma grande lição
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto
Que havia no Rivoli

Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixão por ti era um lume
Que não tinha mais lenha por onde arder

Mesmo sabendo que não gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
P'ra te levar ao concerto
Que havia no Rivoli


sábado, 22 de julho de 2017

A casa de banho do meu filho

Cortinas cor de rosa, escova roxa e cor de rosa, pasta cor de rosa... Quem não soubesse, diria que eu tenho uma filha. Nem por isso. Tenho um rapaz mesmo rapazolas, apenas não me preocupo em criar-lhe preconceitos precoces nem estereótipos cada vez mais desatualizados. Sim, os meninos podem gostar de cor de rosa e as meninas de azul. E isso não tem nada a ver com a sua sexualidade! 
E o mais engraçado é que o Tiago até nem é fã da cor e nada foi escolhido por ele. As cortinas já lá estavam antes de ele chegar, a escova é de um conjunto de dois em que a outra era azul e vermelha e a pasta, comprada pela mãe, era a mais barata que havia à venda naquele dia. Mas ele gosta, para ele é normal, é apenas mais uma cor, como o amarelo ou o verde. E eu espero que assim continue a pensar ao longo da vida. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Estado civil: cansada!

Há mais de uma semana a deitar-me tarde e a levantar-me cedo. Em algumas noites/madrugadas, com o filhote a acordar aos gritos e a chamar por nós. Seja dentes, pesadelos, fome ou apenas cansaço dos dias que não o deixa descansar tão bem à noite, quem acaba por também não descansar são estes pais. E andamos cansados. Uma espécie de arrastar dos dias a ver se as férias chegam depressa, como se fossem milagrosamente repor as energias todas em falta e fazer-nos recuperar e regressar à estaca zero. Nunca é bem assim, mas a gente mantém a ilusão e continua a sonhar alto com os dias em que não vamos trabalhar, mas que se calhar vão ser tão ou mais agitados do que a rotina do dia a dia. 
Mas não faz mal. O que importa é viver e sonhar e ir gerindo o cansaço e a paciência que a maternidade requer. Um dia de cada vez. Com os olhos postos no descanso. Desta noite (espero eu), do fim de semana, dos dias que a criança vai passar de férias com os avós... Tudo isso antes ainda das minhas férias. Pode ser que consiga descansar tudo até lá, para depois as poder aproveitar a 100%. Neste momento, o estado é este: cansada!


quarta-feira, 19 de julho de 2017

A coisa mais difícil nisto da maternidade

A coisa mais difícil nisto da maternidade e da educação dos filhos não são as birras, os choros, as desarrumações, os quereres impacientes dos filhos. Com isso tudo, a gente vai lidando, umas vezes melhor, outras com menos paciência e um ou dois berros à mistura, quando tem de ser.
Mas o verdadeiramente difícil na educação dos nossos filhos é encontrar o equilíbrio. Aquela linha muito ligeira entre ser uma mãe querida, fixe e a melhor amiga do nosso filho para, de repente, termos de envergar a fatiota de tirana e ditadora lá de casa. Manter o "não" firme quando eles se lavam em lágrimas à nossa frente. Impor um castigo mesmo depois de a birra passar e os ânimos terem acalmado.
Custa, custa muito, faz-nos mesmo questionar se é assim tão mau não cumprir as consequências que dissemos que ia haver se isso implicar que ele, em vez de chorar desalmadamente nos próximos vinte minutos, vai dormir tranquilo e feliz e, abençoadamente, em silêncio. É que o silêncio torna-se assim como que uma bênção para os pais entre os gritos de excitação e alegria e os berros que acompanham toda a birra. Literalmente os dois estados em que oscila o meu filho ao longo do dia: alegria e gritos, birras e berros. (Exceto, claro, quando está a ver a Patrulha Pata, em que fica milagrosamente em silêncio, tipo vegetal, em frente da televisão!)
Mas, para mim, esse equilíbrio é essencial, essa postura na educação do meu filho é o mais importante. Serei sempre a melhor amiga dele e aquela que brinca, que faz rodas, que canta e dança e joga às escondidas. Mas, em última análise, sou a mãe dele. Aquele que tem a responsabilidade de o fazer ser uma pessoa boa, respeitadora, empática e educada. Aquela que tem de lhe impor limites e regras e dar castigos quando tem de ser. Para que ele perceba que todas as suas ações têm consequências - e eu explico-lhe sempre quais são as consequências que podem acontecer. Depois cabe-lhe a ele decidir o que fazer. Sim, mesmo com dois anos, tento sempre dar-lhe opção de escolha, ainda que a escolha dele seja apenas entre o "fazes as coisas a bem e podes brincar ou fazes a mal e ficas de castigo".
No outro dia foi algo do género: "Comes a sopa sem birra e, a seguir ao jantar, podes ver um bocadinho de televisão, ou fazes birra e não há desenhos animados para ninguém." Ele chorou e esperneou e embicou que não queria a sopa, mas depois de mais algumas conversas, lá acabou por comer tudo. Quando acabou disse muito contente: "E agora, Patrulha Pata!" Ao que eu lhe respondi, muito calmamente, segurando-lhe nas mãos e olhando-o nos olhos: "Não filho, agora não há Patrulha Pata. Só havia Patrulha Pata se tu não tivesses feito birra, mas tu fizeste e por isso não há. Podes ir brincar para o quarto, ou ir fazer desenhos, mas não há televisão." Ele fez beicinho, mas lá aceitou e foi brincar com outra coisa qualquer.
Se me custava deixá-lo ver a Patrulha Pata? Não. Se eu queria deixá-lo ver televisão? Queria, pois; quero sempre vê-lo feliz. Mas depois o que é que ele aprendia? Que não importa o que faça, consegue sempre o que quer. E não é assim. Não pode ser assim, mesmo que eu tenha de saltar a linha da mãe fixe para o lado da mãe que educa e dá castigos. E o castigo não precisa de ser algo dramático, como ir para o quarto às escuras. Pode ser algo tão simples como não ver desenhos animados a seguir ao jantar. Ou ficar sem aquele brinquedo que atirou para o chão depois de a mãe lhe dizer para não o fazer. Ou ter de se sentar no chão depois de a mãe lhe ter dito que se voltasse a saltar no sofá não podia subir mais (e antes que pensem que sou uma tirana sem coração, eu tento sempre, dentro da idade dele, explicar-lhe porque é que não pode fazer as coisas!).
Pequenas coisas, no dia a dia, para um equilíbrio que se tem de manter estável, para uma educação para o futuro. Para o bem dele!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

A "putina" do Tiago

O Tiago já não diz putina. Mas continua a dizer que esta é a música dele. Uma das que eu lhe canto para adormecer desde que ele nasceu. A que vai buscar o lado alentejano da nossa família, retorna às raízes da terra do meu pai. E que perdeu o direito a ter título, mas ganhou o apego possessivo do Tiago quando fomos, há uns meses, passar um fim de semana a Évora.
O hotel onde ficámos estava em festa e, ao jantar, tinham como convidados um grupo de cante alentejano. O Tiago, que adora música, estava encantado e eu, achando que não podia perder aquela oportunidade, peguei-lhe ao colo e fui pedir aos senhores se podiam cantar esta canção específica, que eu tantas vezes cantava para adormecer o meu filho. Eles acharam imensa graça e cantaram-na, para o Tiago, para mim e para o público que os ouvia. O Tiago, ao início um bocadinho assustado com as vozes possantes, delirou quando percebeu que era a música dele. E dizia "a minha putina, os senhôes canta a putina do Tiago!"
Desde então, ficou. É a música do Tiago e já nem falamos dela de outra forma. E continua a ser uma das músicas que lhe canto para o adormecer e uma das que ele mais gosta!

domingo, 16 de julho de 2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mood do dia

Ao menos é sexta-feira e dia de euromilhões, pode ser que as minhas preces sejam ouvidas!


quinta-feira, 13 de julho de 2017

As minhas primeiras leituras

“Há quem leia porque aos dez anos teve uma pneumonia e para matar as horas de aborrecimento não lhe ocorreu melhor coisa do que ler Stevenson. Até hoje. O curioso é que todas as pessoas, sejam ou não leitoras, podem falar da sua genealogia como leitores ou não-leitores, sempre com referência a uma contingência ou um mero acaso. Ou seja, o ato de ler não nasceu quase nunca de um ato puro de vontade ou da falta dessa vontade. Foi sempre a resposta a uma situação. Convém então repeti-lo: chega-se à leitura graças a um golpe de dados, quer dizer, a encontros e desencontros ocasionais”, explica Álvaro Magalhães.
Por causa desta citação deste artigo, hoje dei por mim a pensar nas circunstâncias da vida que me puseram neste trilho de leituras, nesta paixão gigante que são os livros. E sei que começou com os meus pais e com a minha avó. Lembro-me de ser muito pequenina e de a minha avó inventar histórias para eu comer a sopa - não eram livros, mas eram histórias, eram aventuras inventadas no momento, que alimentavam o bichinho da minha imaginação. À noite, sempre, a história antes de ir dormir e aqui o melhor contador era o pai, que nunca foi leitor assíduo (em toda a minha vida, lembro-me de o meu pai ler de fio a pavio apenas dois ou três livros). E as histórias e os livros faziam parte da infância.
Depois, aos sete anos, foi quando se acendeu "o fogo interior", a minha "caixa de fósforos imaginária", como diz o artigo. Estava no segundo ano do ensino primário e, numa sexta-feira, a professora, a querida D. Olinda que nos tratava mais como netos do que como alunos, anunciou-nos que, agora que já sabíamos ler, podíamos e devíamos ir escolher um livro da pequena estante ao fundo da sala para levar para casa e ler, e que o devíamos devolver na semana seguinte. Uma espécie de biblioteca improvisada ali na sala de aula, um contrato de leitura antes de o mesmo ser normal nas escolas portuguesas. Havia vários livros à disposição, mas lembro-me de ter pegado num exemplar velhinho d'Os Sete, da Enid Blyton. Já nem me lembro qual o título, mas lembro-me muito bem de ser o meu primeiro livro sem bonecos, sem imagens, o primeiro livro "a sério" - era um desafio, mas eu estava pronta. E adorei cada momento! Ficou ali traçado o meu percurso literário; nunca mais parei!
Claro que, para isso, muito contribuiu a minha mãe, já que quando cheguei a casa com o livro dos Sete, toda excitada com a nova aventura que ia viver, a minha mãe lembrou-se da sua coleção completa d'Os Cinco - "Se gostares desse, então vais gostar destes de certeza!". Li os 21 livros originais todos uns a seguir aos outros. E depois juntaram-se novas coleções: Uma Aventura, O Clube das Chaves, o Triângulo Jota, O Bando dos Quatro, os clássicos da Verbo, a coleção Profissão Adolescente, entre tantos outros. Ainda os tenho a todos guardados em casa dos meus pais, pode ser que um dia o fósforo do meu filho se acenda e ele queira imitar os passos de sua mãe. 
Pelo menos, já o começou a fazer com a coleção da Rua Sésamo que, mesmo ao fim de 30 anos, continua pronta para as curvas e para muitas leituras entre mamã e filhote.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

Tempo bipolar

Ainda o verão não tinha chegado, já as temperaturas subiam muito acima dos 30 graus. Tempo seco, incêndios, calor e sol, praia e piscina para uns, ar condicionado no trânsito para outros... Veio o verão, a coisa oscilou um pouco, o tempo arrefeceu ligeiramente, depois um pouco mais acentuadamente, voltou a subir, voltou a descer. Houve alturas em que sair de casa sem casaco era impensável, agora parece que vêm aí outra vez dias de muito calor. 
No meio disto tudo, uns que se queixam do calor, outros que se queixam dos dias menos quentes, gente que não sabe o que há de vestir, gripes e constipações de verão que se apanham entre a brasa da rua e os frigoríficos que são os transportes públicos com o AC a bombar no máximo.
Podemos acertar a coisa, S. Pedro? Já chega deste tempo bipolar em que numa noite durmo toda destapada e na outra quase tenho de ir buscar o cobertor ao armário. Se é verão, é verão! Deixa lá as temperaturas abaixo dos 25.º C para os dias de outono ou da próxima primavera e dá-me dias e noites de verão; sol, calor, bom tempo; mais jantares na varanda e passeios noturnos em manga curta; mais dias de praia e piscina e... oh espera! Pois, ainda faltam umas semanas para as férias. Bem, eu aceito os dias de verão na mesma, mesmo que por dentro esteja assim:

Imagem retirada daqui.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Da culpa

Diz-se que quando nasce uma mãe, nasce também a culpa. A culpa que nos passa a acompanhar para sempre: se o nosso filho cai, lá está a culpa porque o devíamos ter apanhado antes da queda; se ele se constipa, a culpa de não o termos agasalhado melhor; se ele tem uma noite menos tranquila porque fomos à festa com ele e o deitámos mais tarde, a culpa de o termos levado connosco; se fica com os avós, a culpa de nos irmos divertir sozinhos sem ele. Enfim, façamos o que fizermos, a culpa, sempre lá, sempre a chatear-nos e a moer-nos o juízo. E não nos resta mais do que aprender a ignorá-la, a viver com ela.
No entanto, tenho cá para mim que a culpa antecede os filhos. Pelo menos, no meu caso, tenho a certeza disso. A culpa porque não visito a minha avó as vezes suficientes, a culpa porque não telefono tantas vezes como devia aos meus pais e à minha irmã, a culpa porque não consigo estar sempre presente quando as amigas precisam de mim...
E a culpa mesmo nas situações mais normais e corriqueiras da vida: fui ao cinema com a minha irmã. O Tiago estava de férias com os avós, o marido foi para casa sozinho e eu fui jantar e ao cinema com a minha irmã. E passei a tarde a debater-me com o facto de ir deixar o meu marido sozinho em casa. Mesmo sabendo que ele não queria ir ver aquele filme. Mesmo sabendo que ele arranja mil e uma coisas para fazer que não requerem a minha presença nem a minha companhia. Que quando vai correr eu também fico em casa e está tudo bem. Mesmo assim, tive de convencer-me a mim mesma. Lembrar-me que estava tudo bem. Tudo por causa da culpa, que não é bem vinda mas que vem mesmo assim.
É um processo. É uma luta constante mas que travo com toda a energia. A culpa pode vir, mas eu não pretendo deixar-me influenciar por ela. Nem deixar de fazer a minha vida. Nem que seja preciso racionalizar cada opção tomada e repetir vezes sem conta: está tudo bem. Ninguém me julga. Ninguém exige mais de mim. Estamos todos bem. Vai-te embora culpa. Não tens razão de existir.


domingo, 9 de julho de 2017

Ao domingo, publicidade! #175


O que é isto? O que é isto exatamente? Depois de um excelente anúncio sobre a divisão das tarefas domésticas para ambos os sexos, eis que descubro esta pérola na Internet. Uma pérola carregadinha de preconceitos, ideias sexistas e conselhos de trazer por casa. Não, obrigada, mas não queremos pequenos gestos (como um iogurte líquido sem açúcar e gorduras e sei lá que mais), queremos apenas e tão só igualdade nas responsabilidades, nas tarefas, nas coisas da casa, dos filhos e da vida em geral.
E se, de vez em quando vier o tal gesto - na forma de um iogurte de que muito gostamos e que o marido comprou para nós - então melhor ainda. Iremos retribuir também!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A lógica da batata

Domingo, oito e meia da manhã, família sentada à mesa a tomar o pequeno-almoço. Pequeno Tiago começa a bater com a colher na mesa e eu digo-lhe, em tom baixo:
- Tiago, não faças isso. Faz barulho e os vizinhos ainda estão a dormir.
Tiago para, olha para mim, olha para a janela e pergunta: - Mãe, 'tá de note?
- Não, filho, já não está de noite. É de dia, vês?
- Xim, é dia. Não 'tá de note. - e depois, com um ar deveras confuso - Mãe, o vixinho 'tá a dormir de dia?

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Problema resolvido

Resolvi-o da seguinte forma: fui à estante e escolhi um dos maiores livros que por lá andavam em lista de espera! Vamos lá ver o que sai daqui...


terça-feira, 4 de julho de 2017

Dúvidas existenciais

Estou com uma dúvida existencial, quase de vida ou de morte, um dilema que tenho de ver resolvido para parar de pensar nele. O problema é que não é de fácil decisão, antes pelo contrário, as respostas são muitas e variadas, nenhuma está errada e eu não sei qual me vai fazer mais feliz. Então congelo, não consigo decidir levianamente, mas se pensar mais no assunto também não chego a conclusão nenhuma. Pego nas várias alternativas, analiso-as e volto a fechá-las. Até vos podia pedir opinião, mas as opções de cada um são tão diferentes que não íamos conseguir chegar a consenso. O meu problema, admito, é que quero muita coisa. E quero tudo agora, não sei o que querer primeiro. Mantenho-me no mesmo registo, mudo completamente de estilo? Escolho algo para passar o tempo ou quero ver-me embrenhada a fundo? Acima de tudo, quero escolher algo que me agarre, que me faça querer mais e mais, que me leve em aventuras e me fique para sempre na memória.
Posto isto tudo, uma vez que acabei hoje o meu livro, o que é que eu leio a seguir?


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Conversas de família

Ando à procura de um fato-de-banho que me encha as medidas, me assente bem e seja BBB (bom, bonito e barato). Depois de muito procurar, e de quase nada encontrar, lá mandei mensagem à minha mãe e irmã com a fotografia do único que gostei:

Bershka


Eu: Dos milhentos que experimentei, só este me ficou bem!
Mana: E compraste?
Eu: Não. Custa 25 € e eu ainda não tenho a certeza se quero ou não. Também havia outro que não me ficava mal, mas não gostei muito de ver na zona das mamas (que eu praticamente não tenho e por isso NADA me assenta bem ali!).
Mãe: Pobre! Se me sair o euromilhões, eu ofereço.
Eu: Se te sair o euromilhões, oferece-me antes uma lipoaspiração à barriga e uns implantes mamários, boa? Depois já qualquer fato-de-banho me fica bem! 

domingo, 2 de julho de 2017