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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Do medo e da fé

Todos os dias tenho medo. Um medo mudo e pequenino, que se infiltra devagarinho na nossa mente e na nossa alma. Medo de que os meus sonhos não se realizem. Medo de não ser capaz de lutar por eles. Medo de não ter e não ser o que é preciso. Medo de não ser suficiente. Medo de falhar.
Todos os dias tenho medo. Ele chega de mansinho, eu reconheço-o e aceito a sua existência (todas as nossas emoções são válidas e torna-se mais fácil lidar com elas quando assumimos que elas existem), e depois respiro bem fundo, fecho os olhos, encho o peito de ar e mando o medo dar meia volta e ir-se embora. Mando-o embora porque ele não pode ocupar o lugar que reservo diariamente para a fé.
Todos os dias tenho fé. Esta é mais difícil de encontrar, não vem espontaneamente, sou eu que a busco, que a puxo, que a chamo para mim. Reservo-lhe lugar de direito na casa que é a minha alma e não deixo que o ocupem. Abraço-a com força, em busca de respostas e de certezas que ela nunca me dá, mas abraço-a mesmo assim. Dou-lhe a mão e recuso que ela vá embora, por mais difíceis que sejam os dias. E ela fica, às vezes tímida, outras dona e senhora, acalmando-me a alma e o coração, fazendo-me acreditar em mim, no futuro e também no presente.
Todos os dias tenho medo e tenho fé. Uma luta constante em mim, uma escolha consciente que faço diariamente. Não é ver o copo meio cheio. É saber que ele está meio vazio mas que podemos voltar a enchê-lo. É acreditar que a vida sabe o que faz e que nascemos para ser felizes. Acreditar e fazer por isso. Sem medo ou com medo. Com medo e com fé.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O que vês quando te olhas ao espelho?

Passei, em corrida para apanhar o comboio, por uma publicidade que perguntava, em letras gritantes: O que vês quando te olhas ao espelho?
Resposta imediata: alguém feliz. É assim que penso em mim, é assim que me imagino, é assim que quero ver-me. Mas também sei que isto não é verdade todos os dias, em todas as horas. Muitas vezes, quando olho ao espelho, vejo alguém cansada, com sono e olheiras. Alguém cujo cabelo nem sempre coopera, cuja maquilhagem às vezes esborrata, cujo corpo está longe de estar em forma. Olhando bem fundo, às vezes vejo alguém que se sente perdida, que não consegue chegar a todo o lado, que se esquece das coisas e não se sente capaz nem forte nem vencedora. Que ainda procura os seus sonhos e o seu caminho na vida.
Mas depois olho ainda mais fundo. Não para dentro mas para trás. E à volta. E, de repente, vejo o tanto que faço, o tanto que consigo, o tanto que alcancei. Vejo os pequenos milagres da vida a acontecer, o amor sempre presente da família e amigos, o conforto do lar, as experiências maravilhosas que já vivi e que ainda tenho por viver. As prioridades da minha vida que estão no sítio certo. E, nestes momentos, o coração acalma e encontra o ritmo. O ritmo da paz. Da felicidade. O sorriso encontra o seu caminho até aos lábios e até aos olhos e o espelho reflete aquilo que eu sou: bonita, alegre, realizada e feliz. Nem sempre, é certo. Mas um bocadinho todos os dias. E se, todos os dias, formos um bocadinho gratos e felizes só porque sim, o balanço final será cada vez mais positivo.
O que vejo quando me olho ao espelho? Vejo-me a mim e gosto muito do que vejo.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dor de cotovelo é lixada, mas pior é a falta de solidariedade

No outro dia, caí nos balneários do ginásio. Que é como quem diz, estatelei-me ao comprido à saída do duche e caí com o peso do corpo todo em cima da anca e do cotovelo. Ora como todos nós sabemos, dor de cotovelo é lixada. Ainda assim, e descartando a preocupação de ter partido alguma coisa, já que tudo mexia bem e não havia dores insuportáveis, lá fui vestir-me, a tremer das dores e dos nervos. 
Eram sete e meia da manhã e estava sozinha nos balneários. Entretanto, chegou uma senhora, foi-se pôr mesmo no banco em frente ao meu, arranjou as coisas, despiu-se, foi para o duche... e ignorou-me por completo. Porque já se sabe que pessoas a arquejar e chorar de dor a cada movimento é o pão nosso de cada dia e nem vale a pena olhar duas vezes. Menos ainda perguntar se está tudo bem, não vão as ditas pessoas aproveitar-se de tamanha boa vontade.
Juro-vos que me faz muita confusão este umbiguismo, estes olhos que não se levantam para o que está à nossa volta, esta falta de solidariedade. Também me acontece, que não sou perfeita, mas tento sempre combater e, pelo menos em situações de frente a frente, como foi o caso, não reajo com indiferença. Porque todos sabemos que dor de cotovelo é lixada, mas pior ainda é esta falta de solidariedade.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Não sei se ria, se chore...

Quando tens uma manhã super calma, com tempo para tudo. Sais de casa sem trânsito, chegas à estacão de comboios e ainda faltam três minutos para o teu comboio partir... com tudo a correr bem, não evitas um sorriso de satisfação. Até te aperceberes de que deixaste o passe no carro e que tens de voltar atrás e que vais perder o teu comboio... será que é percalço ou prenúncio do destino? Seja como for, não sei se ria se chore... pelo menos até apanhar o próximo comboio.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lisboa menina e moça

Lisboa foi eleita a Capital Verde da Europa para o ano de 2020. É uma distinção que tem que ver com a sustentabilidade e com o ambiente, mas a verdade é que assim que os meus olhos pousaram na publicação que a Câmara Municipal fez no Instagram, o meu primeiro pensamento foi para o verde que abunda na nossa belíssima cidade: principalmente agora, nesta altura da primavera/verão, são os jardins, as pracetas, as árvores nas avenidas, as colinas de monsanto e do castelo, os canteiros às janelas. Além do verde, é o colorido das flores, o lilás dos jacarandás, o azul brilhante do céu e do rio, o vermelho da ponte, o branco do mármore dos edifícios, o amarelo dos aurocarros, as vestimentas multicoloridas de quem por esta cidade passa. Lisboa está cheia de cor, de brilho,   de saudável natureza lado a lado com o trabalho do homem.
E depois lembrei-me de Roma. No primeiro dia em que estive em Roma, ao caminhar pelas ruas da cidade, comentei com o meu marido que sentia falta de algo na cidade e não conseguia discernir o quê. Bem olhava, mas não via o que me faltava. De repente, percebi: não havia árvores. Em. Lado. Nenhum. Bem, óbvio que há árvores em Roma, óbvio que também há jardins e verde e zonas lindíssimas. Mas naquele primeiro dia, saídos da estação principal de comboios e estando a caminhar por algumas das principais artérias da cidade, não vi uma única árvore, nem uma pontinha de verde para contrabalançar os prédios castanhos, os passeios castanhos, a estrada castanha... Ruínas, fontes, estátuas e igrejas aos pontapés, isso têm eles. Mas naquele primeiro dia, e até chegarmos ao Coliseu e depois à zona do rio, senti muito a falta do verde, da natureza, da harmonia que traz a uma cidade. Roma terá o seu encanto (não tanto para mim como as outras cidades italianas que já conheci) mas, enfim, Lisboa é Lisboa, menina e moça, com sua luz única, capital verde, cidade, mulher da minha vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Verão

Oficialmente, o verão chega esta semana. A minha estação favorita. Os meus dias preferidos. O sol, o calor, os dias longos e as noites eternas de tão amenas. Consigo encontrar beleza e coisas de que gosto em todas as estações, mas se só pudesse escolher uma, seria verão para sempre. Tudo parece ter mais energia, mais cor, mais alegria no verão. Tudo parece mais fácil no verão. Mesmo coisas simples. Como por exemplo despachar-me em metade do tempo no balneário do ginásio porque é só tomar banho e pôr um vestidinho em cima da pele, em vez das mil camadas de roupa que sou obrigada a usar no inverno. Definitivamente, sou uma mulher do tempo quente. Por isso, sê muito bem vindo, verão. Que venhas para ficar longos meses, sim?

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Há quatro anos também estava este tempo da treta

Há quatro anos também estava este tempinho de treta. Nuvens, chuva, frio para os padrões habituais do mês que nos traz o verão, tempo de meias e casacos e écharpes... Lembro-me porque nesse ano fui de viagem por esta altura e nem sabia o que raio pôr na mala entre achar que ia ter frio ou ter calor. Mas do que também me lembro foi do resto do verão e de que foi muito tímido e curto. Em vez de vir esplendoroso e tórrido, acanhou-se, se calhar influenciado pelo toque de inverno que se estendeu até junho, e não nos deu aquilo que mais gostamos nele: manhãs tépidas, dias quentes e noites amenas. Nope, nesse verão de 2014 não houve cá noite que não pedisse um casaco e não houve praia que aguentasse estender-se para além do pôr do sol. E como se não bastasse, o verão não só tardou a chegar como se aprestou a ir embora, os meados de setembro a puxarem à meia-estação. Uma tristeza! 
Admito que, entretanto, me tinha esquecido destes pormenores e, à luz do verão passado, a fazer lembrar os da minha juventude, quente, longo e apetecível, almejava um igual para este ano. Mas à luz do céu nublado destes dias, a par das temperaturas que em nada fazem justiça a junho, temo que haja uma repetição do verão de 2014, em vez da continuação do de 2017... vamos lá fazer figas para que assim não seja!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Já gastei 100€ na Feira do Livro

Tempos houve em que eu, jovem despreocupada e sem contas para pagar, juntava mesadas, ordenados e trocos para ir gastá-los na Feira do Livro de Lisboa. Nesses tempos áureos, não havia e-books nem falta de espaço nas estantes, cheguei a gastar mais de 100€ em livros de uma assentada e, depois de cada visita à feira, ia de braços pesados, pés cansados e sacos cheios para casa.
Os tempos passaram e mudaram. Continuo viciada em livros e não me imagino sem a minha biblioteca em casa. Continuo a devorar leituras e a aumentar a minha lista de livros por ler. Mas entretanto desceu em mim uma onda mais conscienciosa no que à aquisição de livros diz respeito e já não compro compulsivamente (na maior parte das vezes). O Kindle e o acesso aos  e-books também ajudam a refrear a vontade louca de novas leituras, conto muitos livros emprestados e penso duas vezes antes de investir dinheiro. 
O fascínio pela Feira, contudo, não passou e sinto-me verdadeiramente feliz a cada visita que faço, ainda que saia de lá de mãos vazias. 
Embora continue a suspirar por alguns livros e a custar-me separar de outros, sei que não preciso de ser apressada, nem comprar coleções inteiras sem antes ler o primeiro para ver se gosto (já gastei muito dinheiro assim, com livros que acabei por não ler ou ler e nem gostar por aí além). Assim, suspiro, penso na pilha de livros por ler que habitam as minhas estantes e sigo caminho. Se valerem a pena, eu volto para os comprar e ler, eles não hão de desaparecer do mapa (vá durante uns sete/oito anos pelo menos). Seremos felizes juntos, ou então felizes na mesma. Enquanto isso, vou só fazer mais uma visita à Feira, que tem muito mais a oferecer e que me deixa feliz só por poder lá ir!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Do Dia da Mãe

Fora o Natal, que como vocês sabem eu adoro, não ligo muito a datas consumistas. Não me mascaro no Carnaval, não compro amêndoas pela Páscoa, não celebro o Dia dos Namorados e, de há alguns anos a esta parte, não compro prendas para o Dia do Pai e Dia da Mãe. Dou muitos miminhos aos meus pais, tento estar com eles sempre que possível, posso escrever-lhes um texto bonito, mas longe vão os tempos em que lhes fazia desenhos e dedicatórias em letra infantil, coisas meio deformadas e muito pirosas, que, depois de adulta, muitas vezes me perguntei porque é que eles ainda as guardavam, penduradas na parte interior do guarda-fatos. Até me tornar mãe. Até começar a viver o Dia da Mãe do outro lado, a ficar embevecida com os miminhos que o meu filho me dá, os desenhos toscos, as mensagens fofinhas, os presentes que sei que vou guardar para a vida, mesmo quando ele for adulto e se perguntar porque é que eu ainda guardo aquilo. 
Ser mãe é um privilégio. É maravilhoso e especial. É perceber os nossos pais como nunca antes e querer estar ainda mais próxima deles. É poder, no Dia da Mãe, celebrar as três mães da minha vida (eu, a minha e a do meu marido). Estar um bocadinho com cada uma delas e estar muito com o meu amor pequenino, vê-lo rir, correr, ser livre. Dar-lhe colo, dar-lhe mimo, embalá-lo, vê-lo ser feliz, fazê-lo sentir-se amado. E sentir-me abençoada com este presente que a vida me deu. Mesmo nos dias em que, como ontem, a paciência está por um fio, mesmo nos dias em que só penso na hora de o pôr na cama, mesmo nos dias em que me apetecia um bocadinho mais para mim. Basta olhá-lo para o coração derreter. E, quando ele não está, embevecer-me com as prendinhas que recebi no Dia da Mãe, aquelas coisas pirosas que nos tocam fundo e que nos deixam de coração cheio. Mesmo depois de termos filhos adultos que têm filhos e escrevem textos em blogues, não é, mãe?


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Da semana que passou

Já fez mais de uma semana que voltei de Roma, onde fui num fim de semana em jeito de mini-férias, com o marido e o filho, dias maravilhosos, extenuantes, felizes e cansativos. Desde então, ando cheia de vontade de voltar aqui, tenho vários textos a fervilhar na cabeça e na ponta dos dedos, quero partilhar coisas, entregar-me a devaneios, enfim... Mas, entretanto, os dias têm sido mais ou menos assim: Ah já voltei, agora é que vou escrever. Mas olha, agora na viagem de comboio o que me apetece mesmo é começar este livro, deixa lá ver se é bom. Ai e agora que cheguei ao trabalho e tenho tanta coisa para fazer nem consigo parar um bocadinho. Viagem para casa, mas o livro é tão interessante... Chega a casa, trata do puto, trata das coisas, tempo em família, sofá e em menos de nada estou a dormitar, ou a ver uma série com o marido, ou a cair de sono e a deixar os textos para o dia seguinte, onde se repete o processo todo. Já vos disse que sou relativamente boa a procrastinar, certo? É que é exatamente isso que tenho andado a fazer na última semana, tenho andado a pôr tudo à frente do blogue e das coisas que quero escrever. 
Vamos lá tentar mudar o paradigma este fim de semana, que se prevê mais calminho que o último. Estou convicta que sim! Até que a vida me acene com planos mais apetitosos que me levem para longe do computador e do telemóvel... 

sábado, 28 de abril de 2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Era uma vez... um cometa

Eu disse que vos mostrava o nosso cometa caseiro! Sim, tem fitinhas e brilhos e talvez se pareça pouco com um cometa real, mas na nossa imaginação trata-se de um cometa veloz e brilhante que deixa uma esteira de dourados e laranjas atrás de si!


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Segunda casa

Na minha capa do traje académico (o qual usei muito e com muito orgulho), tenho emblemas de três localidades diferentes: Lisboa (minha Lisboa, cidade minha, da minha Universidade, terra da minha mãe), Serpa (o mais próximo que consegui arranjar da terra do meu pai, a belíssima Mina de S. Domingos), e Costa da Caparica. A Costa não é terra de ninguém da família, mas é como uma segunda casa para mim, casa das férias, dos longos verões da infância, de mil aventuras e memórias felizes. Por isso, tinha de estar presente na capa, tinha de fazer parte da minha história, tinha de contar como "casa".
Depois da faculdade, quando os verões deixaram de ter três meses de praia e sol, quando a vida adulta (e o namoro) me levaram para outras paragens, as idas à Costa reduziram-se. Mas o carinho não morreu. É aquela a minha praia, por muito que frequente outras, é aquela a minha casa de praia, ainda que seja feita de lona, e é sempre bom, muito bom, regressar. Regressar em família, gozar das lembranças e criar novas memórias. Sentir um orgulho e um amor desmedidos ao ver o Tiago crescer e viver aventuras que eu também vivi há mais de vinte anos, no mesmo espaço. É sempre bom voltar aos lugares onde fomos felizes!


terça-feira, 10 de abril de 2018

De geração em geração

Há coisas que ficam e que passam de geração em geração, dos pais para os filhos, dos avós para os netos... eu herdei todos os livros d'Os Cinco da minha mãe, herdei canções e receitas das minhas avós, herdei pedacinhos das pessoas que me são mais queridas. Para mim, estes conceitos de tradições familiares são importantes, fazem parte de quem somos enquanto indivíduos e enquanto família.
Agora que sou mãe, chegou a minha vez de introduzir ao Tiago estes pedaços de nós, pequenos fios desta teia que faz a nossa história. Canto-lhe músicas da minha infância, conto-lhe histórias da mãe menina, da tia, dos avós e da bivó. Partilho com ele brincadeiras que tinha em miúda com a minha irmã. Dei-lhe toda a minha coleção de livros da Rua Sésamo e tenho outras de reserva (Uma aventura, O clube das chaves, O Triângulo Jota, Os Cinco que eram da avó...) para quando - se - ele quiser. 
E é uma delícia vê-lo, à data de hoje, tirar prazer de coisas que me foram tão caras há mais de vinte anos. Ouvi-lo pedir canções que a minha avó me ensinou, ler-lhe histórias que o meu pai me lia ao adormecer, partilhar com ele a tapeçaria do seu passado, as suas raízes, vê-lo crescer e juntar mais um ramo a esta árvore de família, levando com ele memórias e tradições entretecidas, de geração em geração.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Cá por casa, estamos bem!

Ou mais ou menos, vá, que eu bem que gostava de deixar de espirrar e de me assoar constantemente. Ao menos, a constipação que me apanhou de surpresa deixou passar o fim de semana de festa antes de se manifestar em grande. Agora é aguentá-la e esperar que não afete os homens lá de casa. Por enquanto, está tudo tranquilo...
Por causa da maldita constipação, pois claro que esta semana ainda não houve ginásio para ninguém, que isto de andar quase sem conseguir respirar não chama ao exercício físico. Em contrapartida, apetece é aninhar em casa com as mantas, o leitinho quente e umas boas leituras. O meu filho deve pensar da mesma maneira, que hoje de manhã não queria deixar-me sair de casa nem por nada. Bem, na verdade, se o trouxesse comigo, ele viria de bom grado, o que não queria era ficar sem mim, mas acho que por aqui pelo escritório não iriam achar muita piada. Resta-nos esperar, a ambos, que o dia passe depressa para podermos voltar para os braços um do outro.
Falando em leituras, peguei novamente numa série fantástica (por ser tão boa e por ser do género do fantástico), da qual já tinha lido os primeiros livros, daquelas que nos fazem devorar as páginas. Pode não ser a leitura mais erudita, mas é aquela que me faz feliz e tem-me desanuviado a cabeça nas viagens de comboio. 
À noite, depois de deitar a criança, o tempo é para o marido e para as séries que vamos seguindo. Estão quase todas a terminar as suas temporadas, por isso está na altura de pensar em novas opções, a começar pela "La Casa de Papel", de quem toda a gente fala tão bem. A curiosidade já está aguçada, espero agora que as expectativas não saiam furadas. Este ano não há Game of Thrones, por isso ainda não começou a ansiedade da espera, a não ser, claro, para o próximo filme dos Avengers: Infinity War, que vai estrear no final deste mês. Por mim, ia logo assim que estreasse, tal é a excitação, mas a minha companheira de filmes de super heróis está de férias nessa altura, depois sou eu que não estou cá, por isso antevejo que vá ter de me esconder dos spoilers durante alguns dias antes de conseguir deitar o olho ao filme mais aguardado do ano. Logo eu, que sou uma spoiler seeker, ou não tivesse já visto quase todas as cenas disponíveis no Youtube dos próximos episódios da Anatomia de Grey, apesar de ainda ter um ou dois episódios em atraso gravados na box lá de casa (esta não convenço o marido a ver comigo, que hei de fazer?).
E depois de ter para aqui andado a balbuciar meia dúzia de miscelâneas, acho que já me posso calar. O importante até está escrito lá no título: cá por casa, estamos bem! O resto é conversa :)

   

terça-feira, 27 de março de 2018

Saias vintage

Quem por aqui anda, já sabe que tenho uma panca gigantesca por saias. Saias, vestidos, de todas as formas e feitios. Eis senão quando herdei da minha mãe uma mão cheia de saias que eram dela e até da minha avó e que, depois de ter feito os ajustes necessários ao meu corpo na costureira, são lindas, lindas e super elegantes para o trabalho. Hoje, por exemplo, estou a usar uma saia que foi da minha avó e que é capaz de ter tantos anos como eu de vida. E eu sinto que estou a vestir a história da família, sinto que, de cada vez que visto uma destas saias, estou a receber um abraço cheio de força destas mulheres que eu tanto admiro e que são o meu exemplo. É muito bom!

Aqui na foto, com uma saia da mãe, de uma qualquer coleção da H&M.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Agradecer

Agradecer. Agradecer sempre, todos os dias. Agradecer pelos dias bons, por todas as coisas maravilhosas que a vida nos dá. E agradecer também nos dias menos bons, em que o stress nos corrói os nervos, o mundo esta desalinhado e a nossa alma anda meio perdida. Agradecer porque esses dias não são eternos. Agradecer porque, até nesses dias, há pequenos milagres a acontecer à nossa volta, coisas que dão cor à nossa vida. Agradecer sempre, pelo que se tem e pelo que se é. Pelo que a vida nos dá.


domingo, 18 de março de 2018

Coincidências?

Às compras no Continente, já na fila da caixa, decido pesquisar na Internet uma receita de bolo de iogurte para fazer quando chegar a casa. Faço uma pesquisa no Google e carrego no primeiro link que aparece. Dá-me uma mensagem de erro e não consigo entrar no site com a receita. Será porque o site é do Pingo Doce? Ou é só coincidência?

quinta-feira, 15 de março de 2018

Três longas semanas

Três semanas. Há três longas semanas que não publicava nada por aqui. Numa espécie de hibernação voluntária, um abandono consciente não por falta de ter o que escrever mas porque precisava de dar tempo ao tempo da escrita. Têm sido tempos estranhos, mudanças que ainda não assentaram, arestas que é preciso limar, rotinas que é preciso encontrar. Ainda estou a tentar estabilizar o meu chão nesta nova vida. Sei que vai acontecer eventualmente, mas, por enquanto, ainda há muitas novidades. É dar tempo ao tempo. 
Mas o tempo da escrita faz-me falta. Por isso cá estou, de regresso. Após três semanas de ausência. Três semanas que me pareceram demasiado longas e que me deram muitas saudades!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tuesdays are the worst

Muito se fala das segundas, que dia horrível, voltar à rotina depois do fim de semana, levantar cedo, comeca a semana de trabalho, falta tanto para o descanso e ainda mais para as férias... Muito se fala das quartas, aquele dia que nem é carne nem é peixe, deixa-nos sempre na dúvida se a semana ainda vai a meio ou já vai a meio, nem sequer são bons dias para feriados que não dá para fazer aquelas pontes simpáticas... Muito se fala das quintas, dias de recordar, throwback, noites académicas, estreias de cinema, dia de Anatomia de Grey nos Estados Unidos e de This is us em Portugal, ja com o cheirinho de fim de semana no ar. Muito se fala nas sextas (e eu que falo tanto!!), TGIF, it's friday I'm in love, melhor dia da semana, até já o sorriso é outro.
Mas ninguém fala das terças-feiras e do flagelo que as mesmas são. As terças, sem culpa nenhuma, são o pior dia de todos. À segunda ainda nos distraímos porque temos muito para tratar, agora à terça... à terça apercebemo-nos do stress, do enfado da rotina, das infindáveis 8 horas (ou mais) de trabalho diário. À terça já estamos irritados com os colegas e com a vida e ainda falta tanto para o fim de semana chegar. Acho que foi por isso que o Euromilhões passou a sair também à terça, para dar às pessoas aquela ideia utópica de que a terça-feira pode ser um dia para mudar de vida. E pode, claro! Tal como qualquer outro dia. Aliás, a terça devia começar a ser encarada como dia de avaliar a nossa vida (se só nos incomoda um bocadinho ou se nos incomoda tanto que mais vale mesmo começar a pensar em mudar!).
Hoje é terça-feira. Está um lindo dia de sol. Para alguns é dia de folga ou férias. Para outros é dia de encontro romântico, dia de serem pais ou dia de serem felizes de qualquer outra maneira. Porque a única maneira de contrariar a depressão da terça-feira é sermos felizes. E gratos. Seja de que maneira for. Um bocadinho todos os dias. Até à terça!