Tempos houve em que eu, jovem despreocupada e sem contas para pagar, juntava mesadas, ordenados e trocos para ir gastá-los na Feira do Livro de Lisboa. Nesses tempos áureos, não havia e-books nem falta de espaço nas estantes, cheguei a gastar mais de 100€ em livros de uma assentada e, depois de cada visita à feira, ia de braços pesados, pés cansados e sacos cheios para casa.
Os tempos passaram e mudaram. Continuo viciada em livros e não me imagino sem a minha biblioteca em casa. Continuo a devorar leituras e a aumentar a minha lista de livros por ler. Mas entretanto desceu em mim uma onda mais conscienciosa no que à aquisição de livros diz respeito e já não compro compulsivamente (na maior parte das vezes). O Kindle e o acesso aos e-books também ajudam a refrear a vontade louca de novas leituras, conto muitos livros emprestados e penso duas vezes antes de investir dinheiro.
O fascínio pela Feira, contudo, não passou e sinto-me verdadeiramente feliz a cada visita que faço, ainda que saia de lá de mãos vazias.
Embora continue a suspirar por alguns livros e a custar-me separar de outros, sei que não preciso de ser apressada, nem comprar coleções inteiras sem antes ler o primeiro para ver se gosto (já gastei muito dinheiro assim, com livros que acabei por não ler ou ler e nem gostar por aí além). Assim, suspiro, penso na pilha de livros por ler que habitam as minhas estantes e sigo caminho. Se valerem a pena, eu volto para os comprar e ler, eles não hão de desaparecer do mapa (vá durante uns sete/oito anos pelo menos). Seremos felizes juntos, ou então felizes na mesma. Enquanto isso, vou só fazer mais uma visita à Feira, que tem muito mais a oferecer e que me deixa feliz só por poder lá ir!












