segunda-feira, 30 de julho de 2018

Dor de cotovelo é lixada, mas pior é a falta de solidariedade

No outro dia, caí nos balneários do ginásio. Que é como quem diz, estatelei-me ao comprido à saída do duche e caí com o peso do corpo todo em cima da anca e do cotovelo. Ora como todos nós sabemos, dor de cotovelo é lixada. Ainda assim, e descartando a preocupação de ter partido alguma coisa, já que tudo mexia bem e não havia dores insuportáveis, lá fui vestir-me, a tremer das dores e dos nervos. 
Eram sete e meia da manhã e estava sozinha nos balneários. Entretanto, chegou uma senhora, foi-se pôr mesmo no banco em frente ao meu, arranjou as coisas, despiu-se, foi para o duche... e ignorou-me por completo. Porque já se sabe que pessoas a arquejar e chorar de dor a cada movimento é o pão nosso de cada dia e nem vale a pena olhar duas vezes. Menos ainda perguntar se está tudo bem, não vão as ditas pessoas aproveitar-se de tamanha boa vontade.
Juro-vos que me faz muita confusão este umbiguismo, estes olhos que não se levantam para o que está à nossa volta, esta falta de solidariedade. Também me acontece, que não sou perfeita, mas tento sempre combater e, pelo menos em situações de frente a frente, como foi o caso, não reajo com indiferença. Porque todos sabemos que dor de cotovelo é lixada, mas pior ainda é esta falta de solidariedade.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Hoje é Dia dos Avós

Há dias para tudo. Mas uns são mais especiais do que outros. Hoje é dia dos Avós. E eu tenho a sorte de ter tido avós fantásticos. De ter, ainda, a melhor avó que alguma vez poderia ter desejado: amiga, companheira, protetora, aventureira, educadora, carinhosa e sempre, sempre presente. Não houve ainda um único momento importante da minha vida em que a minha avó não estivesse de alguma forma presente (mesmo que não presencialmente). Hoje, as circunstâncias da vida são outras, não vou poder estar com ela hoje, mas tenho-a sempre no coração. Sempre com amor. Um reflexo de todo o amor que ela sempre me mostrou ao longo de toda a vida. Hoje é Dia dos Avós, mas um dia só não chega para o quanto eu gosto dela! Adoro-te, avozinha!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Não sei se ria, se chore...

Quando tens uma manhã super calma, com tempo para tudo. Sais de casa sem trânsito, chegas à estacão de comboios e ainda faltam três minutos para o teu comboio partir... com tudo a correr bem, não evitas um sorriso de satisfação. Até te aperceberes de que deixaste o passe no carro e que tens de voltar atrás e que vais perder o teu comboio... será que é percalço ou prenúncio do destino? Seja como for, não sei se ria se chore... pelo menos até apanhar o próximo comboio.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Amor maior



És independente, és audaz, és inteligente e despachado. Teimoso e casmurro, mas um doce de meiguice e ternura. Dás os melhores abraços do mundo, as respostas mais imprevisíveis, os sorrisos mais luminosos. Passar os dias contigo é oscilar entre querer estrafegar-te de beijos e a seguir rezar por dois segundos de silêncio, já que estás sempre a falar. E a chamar a nossa atenção. E a rir. O melhor riso do mundo. O mais feliz. A minha felicidade.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

La Casa de Papel

Cheguei tarde a esta série, que tanto furor fez há umas semanas, quando toda a gente andava a falar dela e a trocar nomes de personagens nas redes sociais como quem troca cromos da bola para as cadernetas.
Cheguei tarde, e apesar de já andar com esta série debaixo de olho desde o dito furor, nada sabia da história, nem do contexto, nem de nada. Só depois de ver o primeiro episódio é que exclamei: Ah, então é por isso que se chama La Casa de Papel. Isto só para verem o meu grau de ingenuidade. Ainda assim, sem quaisquer conhecimentos, a expectativa não podia deixar de ser alta, tais eram os elogios rasgados que ouvia.
Cheguei tarde, mas ainda bem que cheguei. É uma série diferente, interessante, muito bem construída, cada episódio vai em crescendo até ao final, deixando-nos cheios de vontade de ver o que vem a seguir, conseguem manter um bom ritmo mas deixam espaço para respirar também, intercalando momentos tensos com boas gargalhadas. Faz-nos querer saber mais e isso é bom, faz-nos criar empatia com as personagens e isso é ainda melhor. Faz-nos gostar da história e isso é ótimo.
Não me sinto muito tentada a embarcar no furor geral. Embora esteja a gostar muito, não é a melhor série que já vi nem é assim tão inovadora que rompa os moldes já feitos. Tem muita coisa de série "americana", fugas improváveis, descobertas policiais milagrosas, etc. Mas não é implausível. E vem quebrar um bocadinho a norma, mostrar-nos coisas diferentes, nem que seja a língua, o cenário, o humor. Vale a pena. E a série é pequena, com episódios a rondar os 47 minutos cada, perfeita para ver dois de enfiada todos os dias. É assim que já vamos a mais de metade da primeira temporada e cheios de vontade de chegar ao fim.
E já que estamos a colecionar cromos de personagens, o meu voto vai para o Berlín. Todas as suas cenas são só deliciosas de se ver.
Aos que ainda não viram, vejam. Aos que já viram, concordam com a minha opinião?

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Já lá vão cinco anos!

Faz hoje cinco anos que fui operada ao joelho. Por decisão própria e consciente, ainda assim uma das provas mais duras por que já passei. Hoje já não me lembro das dores, apenas das lágrimas que chorei por causa delas. Hoje já não me lembro das limitações que tive, de não conseguir mexer a perna, de não poder dobrar o joelho, de não ter capacidade sequer para subir um degrau (e àqueles que pensam que o desafio está em subir, garanto-vos que a verdadeira prova é aprender a descer). Hoje, tenho apenas uma cicatriz a fazer-me companhia. Hoje consigo andar, saltar, subir e descer, carregar o meu filho ao colo, usar saltos altos... o meu joelho nunca ficará a 100%, o mal que estava feito antes da operação não pôde ser desfeito. Mas está infinitamente melhor do que estava antes de ter ido "à faca". Para isso contribuiu o fantástico Dr. Álvaro Machado e toda a sua equipa do Hospital da Luz. As maravilhosas fisioterapeutas da Clínica Mediconde, com um especial beijinho à Carmen. A minha família e amigos que me apoiaram, sempre, antes e depois. A minha irmã que, de férias, andou a servir de enfermeira e companhia para um longo verão fechada em casa. E o meu marido, incansável, imparável, sempre ao meu lado. É graças a todos eles que hoje olho para trás e penso que, embora das mais difíceis, ser operada foi das melhores coisas que fiz na vida. Já lá vão 5 anos.


terça-feira, 26 de junho de 2018

Lisbon under stars

Na semana passada, o filho de férias com os avós, aproveitámos a folga e fomos ver o Lisbon Under Stars, um espetáculo imersivo que está a decorrer nas Ruínas do Convento do Carmo. E foi simplesmente fantástico. Para começar, sou uma eterna apaixonada daquele local, paredes majestosas erguidas aos céus sem tecto, o poderoso trabalho do homem deitado por terra pela força imensa da natureza, religião, fé, destruição, renascimento, tudo num só espaço. Enquanto moradora na capital, ia lá várias vezes, numa época em que o turismo ainda não era tão intenso e o preço dos bilhetes era simbólico.
Voltar agora ao Convento do Carmo, ainda para mais para aprender sobre o mesmo, rodeada de luzes, de música, de cores deslumbrantes, sentada na relva dentro daquelas ruínas (que estão tão bem arranjadas), foi algo mágico. E o espetáculo em si, também. Principalmente porque eu ainda não tinha tido oportunidade de ver nenhuma produção d'O Cubo, nem os videomappings da Praça do Comércio, e por isso foi tudo novidade, tudo uma nova experiência indescritível.
Não quero falar muito do que vi, porque desta vez acho mesmo que os spoilers poderão estragar toda a diversão. É ir sem saber bem ao que se vai e ficar-se encantado com o que se vê. Ainda têm até ao fim do mês para aproveitar e, garanto, não se vão arrepender!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lisboa menina e moça

Lisboa foi eleita a Capital Verde da Europa para o ano de 2020. É uma distinção que tem que ver com a sustentabilidade e com o ambiente, mas a verdade é que assim que os meus olhos pousaram na publicação que a Câmara Municipal fez no Instagram, o meu primeiro pensamento foi para o verde que abunda na nossa belíssima cidade: principalmente agora, nesta altura da primavera/verão, são os jardins, as pracetas, as árvores nas avenidas, as colinas de monsanto e do castelo, os canteiros às janelas. Além do verde, é o colorido das flores, o lilás dos jacarandás, o azul brilhante do céu e do rio, o vermelho da ponte, o branco do mármore dos edifícios, o amarelo dos aurocarros, as vestimentas multicoloridas de quem por esta cidade passa. Lisboa está cheia de cor, de brilho,   de saudável natureza lado a lado com o trabalho do homem.
E depois lembrei-me de Roma. No primeiro dia em que estive em Roma, ao caminhar pelas ruas da cidade, comentei com o meu marido que sentia falta de algo na cidade e não conseguia discernir o quê. Bem olhava, mas não via o que me faltava. De repente, percebi: não havia árvores. Em. Lado. Nenhum. Bem, óbvio que há árvores em Roma, óbvio que também há jardins e verde e zonas lindíssimas. Mas naquele primeiro dia, saídos da estação principal de comboios e estando a caminhar por algumas das principais artérias da cidade, não vi uma única árvore, nem uma pontinha de verde para contrabalançar os prédios castanhos, os passeios castanhos, a estrada castanha... Ruínas, fontes, estátuas e igrejas aos pontapés, isso têm eles. Mas naquele primeiro dia, e até chegarmos ao Coliseu e depois à zona do rio, senti muito a falta do verde, da natureza, da harmonia que traz a uma cidade. Roma terá o seu encanto (não tanto para mim como as outras cidades italianas que já conheci) mas, enfim, Lisboa é Lisboa, menina e moça, com sua luz única, capital verde, cidade, mulher da minha vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Verão

Oficialmente, o verão chega esta semana. A minha estação favorita. Os meus dias preferidos. O sol, o calor, os dias longos e as noites eternas de tão amenas. Consigo encontrar beleza e coisas de que gosto em todas as estações, mas se só pudesse escolher uma, seria verão para sempre. Tudo parece ter mais energia, mais cor, mais alegria no verão. Tudo parece mais fácil no verão. Mesmo coisas simples. Como por exemplo despachar-me em metade do tempo no balneário do ginásio porque é só tomar banho e pôr um vestidinho em cima da pele, em vez das mil camadas de roupa que sou obrigada a usar no inverno. Definitivamente, sou uma mulher do tempo quente. Por isso, sê muito bem vindo, verão. Que venhas para ficar longos meses, sim?

domingo, 17 de junho de 2018

Deixá-lo ir. E voltar.

Dar-lhe sempre, sempre, asas para voar. Liberdade para ir. Férias com mais dias do que aqueles que lhe posso dar. Casas às quais chamar suas para além do seu lar. Família cujos laços são rede de segurança e amor. Dar-lhe sempre, sempre, raízes fortes, sensação de pertença, colo e braços abertos para os quais ele retorna no fim de cada aventura. De olhos brilhantes e sorriso gigante, felicidade contagiante que me faz saber que estou certa em deixá-lo ir. E voltar. Com a certeza de que a mãe estará sempre aqui para ele.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Há quatro anos também estava este tempo da treta

Há quatro anos também estava este tempinho de treta. Nuvens, chuva, frio para os padrões habituais do mês que nos traz o verão, tempo de meias e casacos e écharpes... Lembro-me porque nesse ano fui de viagem por esta altura e nem sabia o que raio pôr na mala entre achar que ia ter frio ou ter calor. Mas do que também me lembro foi do resto do verão e de que foi muito tímido e curto. Em vez de vir esplendoroso e tórrido, acanhou-se, se calhar influenciado pelo toque de inverno que se estendeu até junho, e não nos deu aquilo que mais gostamos nele: manhãs tépidas, dias quentes e noites amenas. Nope, nesse verão de 2014 não houve cá noite que não pedisse um casaco e não houve praia que aguentasse estender-se para além do pôr do sol. E como se não bastasse, o verão não só tardou a chegar como se aprestou a ir embora, os meados de setembro a puxarem à meia-estação. Uma tristeza! 
Admito que, entretanto, me tinha esquecido destes pormenores e, à luz do verão passado, a fazer lembrar os da minha juventude, quente, longo e apetecível, almejava um igual para este ano. Mas à luz do céu nublado destes dias, a par das temperaturas que em nada fazem justiça a junho, temo que haja uma repetição do verão de 2014, em vez da continuação do de 2017... vamos lá fazer figas para que assim não seja!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Já gastei 100€ na Feira do Livro

Tempos houve em que eu, jovem despreocupada e sem contas para pagar, juntava mesadas, ordenados e trocos para ir gastá-los na Feira do Livro de Lisboa. Nesses tempos áureos, não havia e-books nem falta de espaço nas estantes, cheguei a gastar mais de 100€ em livros de uma assentada e, depois de cada visita à feira, ia de braços pesados, pés cansados e sacos cheios para casa.
Os tempos passaram e mudaram. Continuo viciada em livros e não me imagino sem a minha biblioteca em casa. Continuo a devorar leituras e a aumentar a minha lista de livros por ler. Mas entretanto desceu em mim uma onda mais conscienciosa no que à aquisição de livros diz respeito e já não compro compulsivamente (na maior parte das vezes). O Kindle e o acesso aos  e-books também ajudam a refrear a vontade louca de novas leituras, conto muitos livros emprestados e penso duas vezes antes de investir dinheiro. 
O fascínio pela Feira, contudo, não passou e sinto-me verdadeiramente feliz a cada visita que faço, ainda que saia de lá de mãos vazias. 
Embora continue a suspirar por alguns livros e a custar-me separar de outros, sei que não preciso de ser apressada, nem comprar coleções inteiras sem antes ler o primeiro para ver se gosto (já gastei muito dinheiro assim, com livros que acabei por não ler ou ler e nem gostar por aí além). Assim, suspiro, penso na pilha de livros por ler que habitam as minhas estantes e sigo caminho. Se valerem a pena, eu volto para os comprar e ler, eles não hão de desaparecer do mapa (vá durante uns sete/oito anos pelo menos). Seremos felizes juntos, ou então felizes na mesma. Enquanto isso, vou só fazer mais uma visita à Feira, que tem muito mais a oferecer e que me deixa feliz só por poder lá ir!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Do Dia da Mãe

Fora o Natal, que como vocês sabem eu adoro, não ligo muito a datas consumistas. Não me mascaro no Carnaval, não compro amêndoas pela Páscoa, não celebro o Dia dos Namorados e, de há alguns anos a esta parte, não compro prendas para o Dia do Pai e Dia da Mãe. Dou muitos miminhos aos meus pais, tento estar com eles sempre que possível, posso escrever-lhes um texto bonito, mas longe vão os tempos em que lhes fazia desenhos e dedicatórias em letra infantil, coisas meio deformadas e muito pirosas, que, depois de adulta, muitas vezes me perguntei porque é que eles ainda as guardavam, penduradas na parte interior do guarda-fatos. Até me tornar mãe. Até começar a viver o Dia da Mãe do outro lado, a ficar embevecida com os miminhos que o meu filho me dá, os desenhos toscos, as mensagens fofinhas, os presentes que sei que vou guardar para a vida, mesmo quando ele for adulto e se perguntar porque é que eu ainda guardo aquilo. 
Ser mãe é um privilégio. É maravilhoso e especial. É perceber os nossos pais como nunca antes e querer estar ainda mais próxima deles. É poder, no Dia da Mãe, celebrar as três mães da minha vida (eu, a minha e a do meu marido). Estar um bocadinho com cada uma delas e estar muito com o meu amor pequenino, vê-lo rir, correr, ser livre. Dar-lhe colo, dar-lhe mimo, embalá-lo, vê-lo ser feliz, fazê-lo sentir-se amado. E sentir-me abençoada com este presente que a vida me deu. Mesmo nos dias em que, como ontem, a paciência está por um fio, mesmo nos dias em que só penso na hora de o pôr na cama, mesmo nos dias em que me apetecia um bocadinho mais para mim. Basta olhá-lo para o coração derreter. E, quando ele não está, embevecer-me com as prendinhas que recebi no Dia da Mãe, aquelas coisas pirosas que nos tocam fundo e que nos deixam de coração cheio. Mesmo depois de termos filhos adultos que têm filhos e escrevem textos em blogues, não é, mãe?


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Da semana que passou

Já fez mais de uma semana que voltei de Roma, onde fui num fim de semana em jeito de mini-férias, com o marido e o filho, dias maravilhosos, extenuantes, felizes e cansativos. Desde então, ando cheia de vontade de voltar aqui, tenho vários textos a fervilhar na cabeça e na ponta dos dedos, quero partilhar coisas, entregar-me a devaneios, enfim... Mas, entretanto, os dias têm sido mais ou menos assim: Ah já voltei, agora é que vou escrever. Mas olha, agora na viagem de comboio o que me apetece mesmo é começar este livro, deixa lá ver se é bom. Ai e agora que cheguei ao trabalho e tenho tanta coisa para fazer nem consigo parar um bocadinho. Viagem para casa, mas o livro é tão interessante... Chega a casa, trata do puto, trata das coisas, tempo em família, sofá e em menos de nada estou a dormitar, ou a ver uma série com o marido, ou a cair de sono e a deixar os textos para o dia seguinte, onde se repete o processo todo. Já vos disse que sou relativamente boa a procrastinar, certo? É que é exatamente isso que tenho andado a fazer na última semana, tenho andado a pôr tudo à frente do blogue e das coisas que quero escrever. 
Vamos lá tentar mudar o paradigma este fim de semana, que se prevê mais calminho que o último. Estou convicta que sim! Até que a vida me acene com planos mais apetitosos que me levem para longe do computador e do telemóvel...