segunda-feira, 18 de junho de 2018

Verão

Oficialmente, o verão chega esta semana. A minha estação favorita. Os meus dias preferidos. O sol, o calor, os dias longos e as noites eternas de tão amenas. Consigo encontrar beleza e coisas de que gosto em todas as estações, mas se só pudesse escolher uma, seria verão para sempre. Tudo parece ter mais energia, mais cor, mais alegria no verão. Tudo parece mais fácil no verão. Mesmo coisas simples. Como por exemplo despachar-me em metade do tempo no balneário do ginásio porque é só tomar banho e pôr um vestidinho em cima da pele, em vez das mil camadas de roupa que sou obrigada a usar no inverno. Definitivamente, sou uma mulher do tempo quente. Por isso, sê muito bem vindo, verão. Que venhas para ficar longos meses, sim?

domingo, 17 de junho de 2018

Deixá-lo ir. E voltar.

Dar-lhe sempre, sempre, asas para voar. Liberdade para ir. Férias com mais dias do que aqueles que lhe posso dar. Casas às quais chamar suas para além do seu lar. Família cujos laços são rede de segurança e amor. Dar-lhe sempre, sempre, raízes fortes, sensação de pertença, colo e braços abertos para os quais ele retorna no fim de cada aventura. De olhos brilhantes e sorriso gigante, felicidade contagiante que me faz saber que estou certa em deixá-lo ir. E voltar. Com a certeza de que a mãe estará sempre aqui para ele.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Há quatro anos também estava este tempo da treta

Há quatro anos também estava este tempinho de treta. Nuvens, chuva, frio para os padrões habituais do mês que nos traz o verão, tempo de meias e casacos e écharpes... Lembro-me porque nesse ano fui de viagem por esta altura e nem sabia o que raio pôr na mala entre achar que ia ter frio ou ter calor. Mas do que também me lembro foi do resto do verão e de que foi muito tímido e curto. Em vez de vir esplendoroso e tórrido, acanhou-se, se calhar influenciado pelo toque de inverno que se estendeu até junho, e não nos deu aquilo que mais gostamos nele: manhãs tépidas, dias quentes e noites amenas. Nope, nesse verão de 2014 não houve cá noite que não pedisse um casaco e não houve praia que aguentasse estender-se para além do pôr do sol. E como se não bastasse, o verão não só tardou a chegar como se aprestou a ir embora, os meados de setembro a puxarem à meia-estação. Uma tristeza!
Admito que, entretanto, me tinha esquecido destes pormenores e, à luz do verão passado, a fazer lembrar os da minha juventude, quente, longo e apetecível, almejava um igual para este ano. Mas à luz do céu nublado destes dias, a par das temperaturas que em nada fazem justiça a junho, temo que haja uma repetição do verão de 2014, em vez da continuação do de 2017... vamos lá fazer figas para que assim não seja!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Já gastei 100€ na Feira do Livro

Tempos houve em que eu, jovem despreocupada e sem contas para pagar, juntava mesadas, ordenados e trocos para ir gastá-los na Feira do Livro de Lisboa. Nesses tempos áureos, não havia e-books nem falta de espaço nas estantes, cheguei a gastar mais de 100€ em livros de uma assentada e, depois de cada visita à feira, ia de braços pesados, pés cansados e sacos cheios para casa.
Os tempos passaram e mudaram. Continuo viciada em livros e não me imagino sem a minha biblioteca em casa. Continuo a devorar leituras e a aumentar a minha lista de livros por ler. Mas entretanto desceu em mim uma onda mais conscienciosa no que à aquisição de livros diz respeito e já não compro compulsivamente (na maior parte das vezes). O Kindle e o acesso aos  e-books também ajudam a refrear a vontade louca de novas leituras, conto muitos livros emprestados e penso duas vezes antes de investir dinheiro. 
O fascínio pela Feira, contudo, não passou e sinto-me verdadeiramente feliz a cada visita que faço, ainda que saia de lá de mãos vazias. 
Embora continue a suspirar por alguns livros e a custar-me separar de outros, sei que não preciso de ser apressada, nem comprar coleções inteiras sem antes ler o primeiro para ver se gosto (já gastei muito dinheiro assim, com livros que acabei por não ler ou ler e nem gostar por aí além). Assim, suspiro, penso na pilha de livros por ler que habitam as minhas estantes e sigo caminho. Se valerem a pena, eu volto para os comprar e ler, eles não hão de desaparecer do mapa (vá durante uns sete/oito anos pelo menos). Seremos felizes juntos, ou então felizes na mesma. Enquanto isso, vou só fazer mais uma visita à Feira, que tem muito mais a oferecer e que me deixa feliz só por poder lá ir!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Do Dia da Mãe

Fora o Natal, que como vocês sabem eu adoro, não ligo muito a datas consumistas. Não me mascaro no Carnaval, não compro amêndoas pela Páscoa, não celebro o Dia dos Namorados e, de há alguns anos a esta parte, não compro prendas para o Dia do Pai e Dia da Mãe. Dou muitos miminhos aos meus pais, tento estar com eles sempre que possível, posso escrever-lhes um texto bonito, mas longe vão os tempos em que lhes fazia desenhos e dedicatórias em letra infantil, coisas meio deformadas e muito pirosas, que, depois de adulta, muitas vezes me perguntei porque é que eles ainda as guardavam, penduradas na parte interior do guarda-fatos. Até me tornar mãe. Até começar a viver o Dia da Mãe do outro lado, a ficar embevecida com os miminhos que o meu filho me dá, os desenhos toscos, as mensagens fofinhas, os presentes que sei que vou guardar para a vida, mesmo quando ele for adulto e se perguntar porque é que eu ainda guardo aquilo. 
Ser mãe é um privilégio. É maravilhoso e especial. É perceber os nossos pais como nunca antes e querer estar ainda mais próxima deles. É poder, no Dia da Mãe, celebrar as três mães da minha vida (eu, a minha e a do meu marido). Estar um bocadinho com cada uma delas e estar muito com o meu amor pequenino, vê-lo rir, correr, ser livre. Dar-lhe colo, dar-lhe mimo, embalá-lo, vê-lo ser feliz, fazê-lo sentir-se amado. E sentir-me abençoada com este presente que a vida me deu. Mesmo nos dias em que, como ontem, a paciência está por um fio, mesmo nos dias em que só penso na hora de o pôr na cama, mesmo nos dias em que me apetecia um bocadinho mais para mim. Basta olhá-lo para o coração derreter. E, quando ele não está, embevecer-me com as prendinhas que recebi no Dia da Mãe, aquelas coisas pirosas que nos tocam fundo e que nos deixam de coração cheio. Mesmo depois de termos filhos adultos que têm filhos e escrevem textos em blogues, não é, mãe?


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Da semana que passou

Já fez mais de uma semana que voltei de Roma, onde fui num fim de semana em jeito de mini-férias, com o marido e o filho, dias maravilhosos, extenuantes, felizes e cansativos. Desde então, ando cheia de vontade de voltar aqui, tenho vários textos a fervilhar na cabeça e na ponta dos dedos, quero partilhar coisas, entregar-me a devaneios, enfim... Mas, entretanto, os dias têm sido mais ou menos assim: Ah já voltei, agora é que vou escrever. Mas olha, agora na viagem de comboio o que me apetece mesmo é começar este livro, deixa lá ver se é bom. Ai e agora que cheguei ao trabalho e tenho tanta coisa para fazer nem consigo parar um bocadinho. Viagem para casa, mas o livro é tão interessante... Chega a casa, trata do puto, trata das coisas, tempo em família, sofá e em menos de nada estou a dormitar, ou a ver uma série com o marido, ou a cair de sono e a deixar os textos para o dia seguinte, onde se repete o processo todo. Já vos disse que sou relativamente boa a procrastinar, certo? É que é exatamente isso que tenho andado a fazer na última semana, tenho andado a pôr tudo à frente do blogue e das coisas que quero escrever. 
Vamos lá tentar mudar o paradigma este fim de semana, que se prevê mais calminho que o último. Estou convicta que sim! Até que a vida me acene com planos mais apetitosos que me levem para longe do computador e do telemóvel... 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Dicionário de Tiaguês VII

Há já muito tempo que não partilhava convosco algumas das saídas do Tiago, em jeito de dicionário. Tanto tempo que, entretanto, ele já diz bem algumas destas. Ainda assim, acho sempre delicioso guardá-las para memória futura:

Evilhas
(virilhas)

Fastama
(fantasma)

Vagata
(gravata)

Pumumelos
(cogumelos)

sábado, 28 de abril de 2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Era uma vez... um cometa

Eu disse que vos mostrava o nosso cometa caseiro! Sim, tem fitinhas e brilhos e talvez se pareça pouco com um cometa real, mas na nossa imaginação trata-se de um cometa veloz e brilhante que deixa uma esteira de dourados e laranjas atrás de si!


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Segunda casa

Na minha capa do traje académico (o qual usei muito e com muito orgulho), tenho emblemas de três localidades diferentes: Lisboa (minha Lisboa, cidade minha, da minha Universidade, terra da minha mãe), Serpa (o mais próximo que consegui arranjar da terra do meu pai, a belíssima Mina de S. Domingos), e Costa da Caparica. A Costa não é terra de ninguém da família, mas é como uma segunda casa para mim, casa das férias, dos longos verões da infância, de mil aventuras e memórias felizes. Por isso, tinha de estar presente na capa, tinha de fazer parte da minha história, tinha de contar como "casa".
Depois da faculdade, quando os verões deixaram de ter três meses de praia e sol, quando a vida adulta (e o namoro) me levaram para outras paragens, as idas à Costa reduziram-se. Mas o carinho não morreu. É aquela a minha praia, por muito que frequente outras, é aquela a minha casa de praia, ainda que seja feita de lona, e é sempre bom, muito bom, regressar. Regressar em família, gozar das lembranças e criar novas memórias. Sentir um orgulho e um amor desmedidos ao ver o Tiago crescer e viver aventuras que eu também vivi há mais de vinte anos, no mesmo espaço. É sempre bom voltar aos lugares onde fomos felizes!


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Conversas cá de casa #3

O Tiago tem uma baba na bochecha. Algum bichinho chato que o mordeu, ele coçou, a baba aumentou de tamanho, incomoda-o mais. O normal. No outro dia, tocou na face e perguntou:
- Mãe, o que é isto?
- É uma baba, filho.
Em tom lamurioso - Porquê?
- Porque um mosquito te picou aí e fez uma baba.
- Porquê?
Lá lhe expliquei de forma muito simples o conceito dos mosquitos, melgas e afins picarem as pessoas. Ele franziu o sobrolho, fez uma expressão entre o irritado e o enojado e concluiu:
- Não gosto de esquitos!

Pois, filho, a mãe também não :)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Dias assim

Dias de primavera. Dias de sol. Dias de calor. Dias de passeio. Dias de brincadeiras ao ar livre. Dias de andar de bicicleta e viver aventuras. Dias de amor. Dias de família. São dias assim que a malta quer! Será que S. Pedro nos vai ouvir?


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dramas na vida de uma mãe #26

Isto é um verdadeiro flagelo e tem de ser falado! De certeza que há mais mães a partilhar este meu drama: os trabalhos de casa da escolinha! Trabalhos de casa para os pais, entenda-se, que o grau de dificuldade da coisa vai muito para além de miúdos de 3 anos.
Na sexta-feira, tinha um recado na escolinha: "Trabalho de casa: fazer um cometa em 3D." O quê?! Como assim, fazer um cometa em 3D?! Pior, para entregar logo na semana seguinte. Ou seja, primeiro atiram a bomba aos pobres pais cujo talento para as artes manuais roça o nulo e depois ainda torcem a faca dizendo cheios de sorrisos que só têm aquele fim de semana para pensarem, planearem, preparem e fazerem, porque o trabalho tem de ser entregue logo a seguir. Instruções e ajudas sobre como realizar o trabalho, que é bom, nada! É cada pai por si. Uns mais talentosos do que outros, uns que preferem fazer sozinhos para ser mais rápido, uns que foram imediatamente ao Pinterest para sacarem ideias e replicarem verdadeiras obras de arte, uns que só vão desenrascar qualquer coisa na véspera da entrega do trabalho... há de tudo, creio. 
Nós, pais do Tiago, enquadramo-nos na categoria dos que não têm muito jeito para trabalhos manuais e que acham que o filho tem de participar seja lá de que forma for, por isso esforçamo-nos para sair alguma coisa de jeito. Tirámos umas ideias, fomos comprar o material com o piolho, pintámos o suposto "cometa" em conjunto (agora só falta colar - vamos lá ver se a tinta já secou). E até acabámos por nos divertir durante o processo. Ainda assim, acho que nunca ser o tipo de pais que ficam entusiasmados quando chegam recados destes no caderno da escola.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Idade da Contestação

Há miúdos que quando chegam aos três anos entram na idade dos porquês. De cinco em cinco minutos lá estão eles a massacrar a cabeça dos pais com as perguntas "Porquê isto?", "Porquê aquilo?", "Porquê? Porquê? Porquê?".
Já o Tiago entrou na idade da contestação, que é do mesmo género e igualmente irritante. Ora vejam lá se não é...

Mãe a cantar: Era uma vez um cavalo/Que andava no seu lindo carrossel...
Tiago: Os cavalos não andam nos carrosseles, isso são os meninos.
Mãe explica que os meninos andam em cima de cavalinhos que estão nos carrosséis. Que o Tiago já andou em carrosséis assim, com cavalinhos. E continua: Tinha as orelhas furadas...
Tiago: As orelhas não são furadas.
Mãe explica que as orelhas podem ser furadas, como as dela que têm furos para usar brincos. E continua: E a cabeça era feita de papel...
Tiago: As cabeças não são feitas de papel! São de cabelo. E lá dentro... o que é que há lá dentro mãe?
Mãe: O cerébro, filho.
Tiago: Não, mãe, osso!

Se vai ser isto nos próximos tempos, está visto que tenho de ter cuidado com as músicas que lhe canto. É que há músicas infantis muito mórbidas!