sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Do medo e da fé

Todos os dias tenho medo. Um medo mudo e pequenino, que se infiltra devagarinho na nossa mente e na nossa alma. Medo de que os meus sonhos não se realizem. Medo de não ser capaz de lutar por eles. Medo de não ter e não ser o que é preciso. Medo de não ser suficiente. Medo de falhar.
Todos os dias tenho medo. Ele chega de mansinho, eu reconheço-o e aceito a sua existência (todas as nossas emoções são válidas e torna-se mais fácil lidar com elas quando assumimos que elas existem), e depois respiro bem fundo, fecho os olhos, encho o peito de ar e mando o medo dar meia volta e ir-se embora. Mando-o embora porque ele não pode ocupar o lugar que reservo diariamente para a fé.
Todos os dias tenho fé. Esta é mais difícil de encontrar, não vem espontaneamente, sou eu que a busco, que a puxo, que a chamo para mim. Reservo-lhe lugar de direito na casa que é a minha alma e não deixo que o ocupem. Abraço-a com força, em busca de respostas e de certezas que ela nunca me dá, mas abraço-a mesmo assim. Dou-lhe a mão e recuso que ela vá embora, por mais difíceis que sejam os dias. E ela fica, às vezes tímida, outras dona e senhora, acalmando-me a alma e o coração, fazendo-me acreditar em mim, no futuro e também no presente.
Todos os dias tenho medo e tenho fé. Uma luta constante em mim, uma escolha consciente que faço diariamente. Não é ver o copo meio cheio. É saber que ele está meio vazio mas que podemos voltar a enchê-lo. É acreditar que a vida sabe o que faz e que nascemos para ser felizes. Acreditar e fazer por isso. Sem medo ou com medo. Com medo e com fé.



domingo, 30 de dezembro de 2018

Domingos preguiçosos

Adoro domingos assim: dias preguiçosos, solarengos, em que o tempo se estende e não há obrigações nem compromissos. Há tempo para ir ao parque, para apanhar banhos de sol, para andar de bicicleta, para jogar jogos de tabuleiro, fazer uma sessão de cinema caseira, com pipocas e mantas e muito mimo... tempo para dormitar no sofá, enroscar-me com os meus amores e gozar esta família que é a minha maior felicidade. Tempo para preguiçar, para mimar, para abraçar e beijar. Que os últimos dias e cartuchos deste ano sejam prenúncio para o próximo e que depois da turbulência de 2018 venha a serenidade em 2019. Sempre com foco no mais importante e com a capacidade de conseguir sempre saber ver a beleza de domingos assim.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Feliz Natal!

Quem me conhece sabe que adoro a magia do Natal. Das músicas, às luzes, passando pela comida, pelas prendas, pela família à mesa e pelas decorações por todo o lado. O Natal é luz, é magia, é amor, é família. É quentinho no coração e paz na alma. Este ano que passou foi muito intenso e trouxe-me do melhor e do pior. Mas mantenho a fé acesa e chego a este Natal com balanço positivo. E isso é tudo o que peço desta vida, que o balanço entre o bom e o mau seja sempre positivo. E que os dias felizes sejam sempre superiores aos dias tristes. E que haja sempre uma pontinha de esperança que me diz que o próximo ano será melhor e o próximo Natal ainda mais especial que este. Que é também o que vos desejo a todos. Um feliz, feliz Natal! E um 2019 cheio de fé e de esperança e amor! ❤

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O que vês quando te olhas ao espelho?

Passei, em corrida para apanhar o comboio, por uma publicidade que perguntava, em letras gritantes: O que vês quando te olhas ao espelho?
Resposta imediata: alguém feliz. É assim que penso em mim, é assim que me imagino, é assim que quero ver-me. Mas também sei que isto não é verdade todos os dias, em todas as horas. Muitas vezes, quando olho ao espelho, vejo alguém cansada, com sono e olheiras. Alguém cujo cabelo nem sempre coopera, cuja maquilhagem às vezes esborrata, cujo corpo está longe de estar em forma. Olhando bem fundo, às vezes vejo alguém que se sente perdida, que não consegue chegar a todo o lado, que se esquece das coisas e não se sente capaz nem forte nem vencedora. Que ainda procura os seus sonhos e o seu caminho na vida.
Mas depois olho ainda mais fundo. Não para dentro mas para trás. E à volta. E, de repente, vejo o tanto que faço, o tanto que consigo, o tanto que alcancei. Vejo os pequenos milagres da vida a acontecer, o amor sempre presente da família e amigos, o conforto do lar, as experiências maravilhosas que já vivi e que ainda tenho por viver. As prioridades da minha vida que estão no sítio certo. E, nestes momentos, o coração acalma e encontra o ritmo. O ritmo da paz. Da felicidade. O sorriso encontra o seu caminho até aos lábios e até aos olhos e o espelho reflete aquilo que eu sou: bonita, alegre, realizada e feliz. Nem sempre, é certo. Mas um bocadinho todos os dias. E se, todos os dias, formos um bocadinho gratos e felizes só porque sim, o balanço final será cada vez mais positivo.
O que vejo quando me olho ao espelho? Vejo-me a mim e gosto muito do que vejo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Conversas cá de casa #5

Depois de uma birra e de um castigo, com o Tiago já deitado na sua cama, conversava com ele sobre o que tinha acontecido. Já no fim da conversa, termino com um:

- E olha que se te portas mal o Pai Natal não te traz prendas. Ele está a ver se te portas bem ou mal e só traz prendas aos meninos que se portam bem.
Olhando para o teto com ar desconfiado, pergunta o Tiago:
- Mãe, onde está a câmara?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Dezembro


2018 não tem sido um ano especialmente fácil. E os últimos meses têm sido um constante rol de provações. Em novembro, então, parece que nos aconteceu de tudo: entre uma gastroenterite que mandou o marido ao hospital, uma alergia que me apareceu sem razão aparente, um carro avariado há três semanas à espera da peça certa... Andamos aos solavancos, encaixando a rotina tipo puzzle, enquanto a vida não se acerta. Valham-nos as coisas boas, a família e amigos, a boa disposição e a fé de que tudo se resolve no tempo certo. E que o tempo certo seja breve.
Chegamos ao último mês do ano. Que entrou com festejos, com risos, com amor e um cheirinho a Natal. Que tudo isto seja prenúncio de coisas ainda melhores, de um mês cheio de luz. De paz. E de peças a encaixarem-se sem esforço no puzzle da vida. Último mês do ano. Que seja o primeiro do resto das nossas vidas.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Bom dia! Boa sexta-feira!

E que na correria dos dias saibamos encontrar calma e paz em detalhes tão singelos como a beleza simples de uma flor.




sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Conversas cá de casa #4

À noite, no mimo antes de deitar:
- Mãe, quando eu era bebé e estava na tua barriga... como é que eu saí?
Pensa, pensa rápido, Alexx Maria, enquanto amaldiçoas as malditas cesarianas que têm a explicação na ponta da língua (ou na cicatriz da barriga)!
- Então, meu amor, tu eras muito, muito pequenino e estavas na barriga da mãe. Depois começaste a crescer e a ficar grande e já não cabias na barriga da mãe e querias sair...
- Sim, mas como é que eu saí? Foi pela boca?
Controla o riso, mantém a compostura:
- Não, filhote, não foi pela boca. Tu estavas na barriga e já querias sair, querias vir cá para fora... Então... então... então a mãe e o pai foram ao hospital e o senhor doutor puxou-te cá para fora.
Silêncio. Olhar desconfiado de quem não percebeu nada.
- Estás confuso, filhote?
Olhar desconfiado rapidamente substituído por olhar determinado:
- Oh mãe, quando tu tiveres um mano ou mana na barriga, eu vou contigo e com o pai ao hospital e eu vejo como é.
E tu dás a única resposta possível:
- OK, meu amor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para hoje era isto, se faz favor!

Para hoje era isto, se faz favor: paz, silêncio, o mar no horizonte e a tua mão na minha. Sempre a tua mão na minha. Porque, quando os céus estão cinzentos, o mar ao fundo permite-me olhar para dentro e ouvir-me melhor e a tua mão na minha faz-me sempre acreditar em dias de sol e de amor. Mesmo quando chove. Os meus dias preferidos.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pedras no caminho? Eu prefiro flores!

Pedras no caminho há sempre, até nos percursos mais lineares desta vida. Pedras grandes ou pequenas, de arestas afiadas ou redondas como seixos. Servem para nos despertar, para nos testar, para mostrar que a vida não é uma estrada a direito, lisa, reta e simples. 
Há quem diga que as devemos apanhar e levar connosco para um dia construirmos um castelo. Eu digo que para se fazer um castelo são precisas muitas pedras e não percebo porque é que alguém quereria andar a carregar o peso de tantas pedras para depois construir um castelo e fechar-se lá dentro, quando a vida é tão mais bonita cá fora. Mesmo com as pedras que vamos encontrando no caminho, que vamos escalando, contornando, pisando e ultrapassando, seguindo viagem. Afinal, cada pedra deixada para trás é um obstáculo vencido, uma dor abandonada, um entrave conquistado. E, ao caminharmos com  o coração leve, até prestamos mais atenção. E quando prestamos mais atenção ao caminho,  quem sabe se não encontramos pedras para as quais vale a pena olhar? Flores que vale a pena partilhar?


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Pedes-me tempo

Tempo. É tudo o que me pedes. Tempo para te ver e ouvir e prestar atenção. Tempo para estar, brincar, conversar. Tempo para comermos juntos sem pressas, acordarmos de manhã e ficarmos na ronha. Para mais uma história e mais uma canção à noite. Para mais uma ida ao parque ou uma voltinha de bicicleta. Pedes-me tempo. Exiges o teu tempo, sabes bem o que queres e não tens medo nem pejo em pedi-lo. E eu dou-te. O que posso. O que consigo. Umas vezes não é tanto como gostaria, outras é mais do que me apetecia, mas dou-te sempre. Na maior parte das vezes é o suficiente para saberes que és amado, és visto, és escutado. Porque o que tu não sabes, meu amor pequenino, é que o tempo que te dispenso, é sempre tempo ganho para mim.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Outubro

Outubro, mês dos anoiteceres suaves, das folhas douradas, das últimas idas à praia, dos casacos, das primeiras castanhas assadas e do doce de abóbora, das bruxas do Halloween e do aniversário do amor da minha vida.
Que sejas um bom mês. Que nos tragas coisas boas e boas notícias. Que comeces de mansinho e que termines em grande. Que sejas gentil.


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O meu colo

O meu colo é sempre teu. Sempre que o quiseres. Mesmo quando nele já não couberes.




quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Não quero que o meu filho viva os meus medos


Sempre que vou ao parque infantil com o Tiago e encontro uma mãe (ou pai) com o discurso do "Não", apetece-me entabular conversa. Falar um pouco e perceber porque é que as palavras que mais diz aos filhos, naquele bocadinho que ali estão, são "não subas isso", "não corras tão depressa", "não vás por aí", "não andes tão alto", "tu não sabes andar nisso", etc., etc., etc. Acredito que por trás de cada negativa, dita de forma mais branda ou mais ríspida, está o medo. O medo da queda, o medo de algo partido, o medo da dor e do sofrimento daqueles que são nossos para proteger a todo o custo. O medo de não sermos capazes de amparar todas as quedas e de sarar todos os dói-dóis com beijinhos.
Mas a verdade é que esse medo é nosso, apenas. Não é dos nossos filhos. Não é das crianças que acabaram de descobrir que sabem dar a cambalhota ou que já conseguem subir o escorrega ao contrário ou que finalmente dominam a arte de andar de baloiço e sentem que estão a voar. Que acham que saltar quatro degraus de uma vez é o maior desafio. E nós vemos joelhos esfolados e dentes partidos enquanto eles veem capas de super-heróis e poderes incríveis.
Não quero que o meu filho viva com os meus medos. É por isso que relativizo sempre que vejo uma vespa perto de nós ou que o incentivo a trepar mais alto e mais longe. Não quero que ele seja tolhido pelos meus receios, que deixe de fazer coisas, de se superar, de experimentar. Claro que esta mãe também nega, também proíbe. Mas, na maior parte das vezes, tento aceitar, explicar os perigos, direcionar para opções mais seguras sem que ele sinta que o estou a impedir de fazer as coisas. Tento dizer sim sem lhe mostrar medo. Já lhe bastam os medos que ele vai ter e ganhar ao longo da sua vida. Não precisa também dos meus.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Dramas na vida de uma mãe #27

O dia em que a empregada vai dar um jeitinho à casa e deixa tudo limpinho e cheiroso é o dia em que o teu filho te pede, assim que chega a casa: "Mãe! Posso brincar com as plasticinas?"