segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Eles ficam doentes e nós também

Toda a gente nos avisa, mas na verdade ninguém nos prepara para isto: eles ficam doentes e nós também. Eles têm febres e ranhos e coisas que tal, nós temos preocupações e angústias e culpas... eles tremem de frio e a gente esquece que para baixar a febre é preciso menos roupa, não mais. Eles deitam-se no sofá prostrados e nós deixamo-los verem televisão sem horários numa ânsia de os fazer sentirem-se melhores. Ainda impomos algumas regras (tens de lavar as mãos quando vais à casa de banho, tens de comer a sopa, está na hora de ir dormir), mas mandamos grande parte delas às urtigas (podes lavar as mãos com água quente, anda cá ao colo que eu dou-te a sopa, sim, podemos ler duas histórias antes de dormir). Só queremos que eles fiquem bem. Mesmo quando agradecemos a bênção de ser só uma gripe, sazonal, viral e normal. Mesmo assim queremos que passe depressa. Para os ver a comer, rir e brincar (e a serem traquinas e rebeldes e cansativos) como sempre. E o nosso coração de mãe voltar a bater ao ritmo normal do dia a dia.



sábado, 26 de janeiro de 2019

Sporting

O Tiago está doente. Mas descobriu que o Sporting ia jogar hoje e pediu-nos para ver o jogo. Trouxe os bonecos da sua cama e o Jubas, que tem lugar cativo na sua mesa de cabeceira. O Tiago não liga a futebol, nem entra em grandes guerras clubísticas (influência dos pais, de clubes diferentes e pouco tolerantes com a intolerância à diferença). Mas diz que é do Sporting desde sempre. Adora o Jubas. Grita sempre que passamos pelo estádio na 2.ª Circular. E eu, que sou do Sporting também, acho piada. Felizmente, o pai tolera-nos. E hoje estamos todos sentados, Jubas incluído,  ver o jogo do Sporting. Só espero que ganhe.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A minha Anatomia

A semana foi extenuante. Muitas horas de trabalho, muito stress, noites difíceis, muita correria. O Tiago ficou doente esta semana, daquelas viroses chatas que o atira ao tapete. O marido passou a noite entre o nosso quarto e o do nosso filho. Estamos esgotados. Estou naquele ponto de cansaço em que nem sono tenho, o cérebro sem funcionar. Mas depois sento-me no sofá e ponho a minha Anatomia. E finalmente relaxo. Felizmente é sexta-feira. Felizmente a primeira doença do meu filho este inverno acontece no final de janeiro. Felizmente a semana de trabalho acabou em sucesso. Venha o fim de semana. Que seja de sopas e descanso.
E já agora, sou 100% team Merluca.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Parabéns a nós!

Despenteada, ensolarada, sem filtros, quase sem olhos, com sorriso gigante, mãos geladas e coração quentinho de tanto amor. Absurdamente feliz! Faz bem fazer anos, diz que estamos vivos.
E parabéns também aqui ao estaminé onde somos felizes, que já são cinco anos de devaneios partilhados (com muito menos atenção nos últimos tempos do que eu gostaria, mas a vida é assim mesmo de fases... voltarei, sem promessas nem prazos, quando fizer sentido voltar.)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Do medo e da fé

Todos os dias tenho medo. Um medo mudo e pequenino, que se infiltra devagarinho na nossa mente e na nossa alma. Medo de que os meus sonhos não se realizem. Medo de não ser capaz de lutar por eles. Medo de não ter e não ser o que é preciso. Medo de não ser suficiente. Medo de falhar.
Todos os dias tenho medo. Ele chega de mansinho, eu reconheço-o e aceito a sua existência (todas as nossas emoções são válidas e torna-se mais fácil lidar com elas quando assumimos que elas existem), e depois respiro bem fundo, fecho os olhos, encho o peito de ar e mando o medo dar meia volta e ir-se embora. Mando-o embora porque ele não pode ocupar o lugar que reservo diariamente para a fé.
Todos os dias tenho fé. Esta é mais difícil de encontrar, não vem espontaneamente, sou eu que a busco, que a puxo, que a chamo para mim. Reservo-lhe lugar de direito na casa que é a minha alma e não deixo que o ocupem. Abraço-a com força, em busca de respostas e de certezas que ela nunca me dá, mas abraço-a mesmo assim. Dou-lhe a mão e recuso que ela vá embora, por mais difíceis que sejam os dias. E ela fica, às vezes tímida, outras dona e senhora, acalmando-me a alma e o coração, fazendo-me acreditar em mim, no futuro e também no presente.
Todos os dias tenho medo e tenho fé. Uma luta constante em mim, uma escolha consciente que faço diariamente. Não é ver o copo meio cheio. É saber que ele está meio vazio mas que podemos voltar a enchê-lo. É acreditar que a vida sabe o que faz e que nascemos para ser felizes. Acreditar e fazer por isso. Sem medo ou com medo. Com medo e com fé.