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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Da semana que passou

Já fez mais de uma semana que voltei de Roma, onde fui num fim de semana em jeito de mini-férias, com o marido e o filho, dias maravilhosos, extenuantes, felizes e cansativos. Desde então, ando cheia de vontade de voltar aqui, tenho vários textos a fervilhar na cabeça e na ponta dos dedos, quero partilhar coisas, entregar-me a devaneios, enfim... Mas, entretanto, os dias têm sido mais ou menos assim: Ah já voltei, agora é que vou escrever. Mas olha, agora na viagem de comboio o que me apetece mesmo é começar este livro, deixa lá ver se é bom. Ai e agora que cheguei ao trabalho e tenho tanta coisa para fazer nem consigo parar um bocadinho. Viagem para casa, mas o livro é tão interessante... Chega a casa, trata do puto, trata das coisas, tempo em família, sofá e em menos de nada estou a dormitar, ou a ver uma série com o marido, ou a cair de sono e a deixar os textos para o dia seguinte, onde se repete o processo todo. Já vos disse que sou relativamente boa a procrastinar, certo? É que é exatamente isso que tenho andado a fazer na última semana, tenho andado a pôr tudo à frente do blogue e das coisas que quero escrever. 
Vamos lá tentar mudar o paradigma este fim de semana, que se prevê mais calminho que o último. Estou convicta que sim! Até que a vida me acene com planos mais apetitosos que me levem para longe do computador e do telemóvel... 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Dias assim

Dias de primavera. Dias de sol. Dias de calor. Dias de passeio. Dias de brincadeiras ao ar livre. Dias de andar de bicicleta e viver aventuras. Dias de amor. Dias de família. São dias assim que a malta quer! Será que S. Pedro nos vai ouvir?


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Cá por casa, estamos bem!

Ou mais ou menos, vá, que eu bem que gostava de deixar de espirrar e de me assoar constantemente. Ao menos, a constipação que me apanhou de surpresa deixou passar o fim de semana de festa antes de se manifestar em grande. Agora é aguentá-la e esperar que não afete os homens lá de casa. Por enquanto, está tudo tranquilo...
Por causa da maldita constipação, pois claro que esta semana ainda não houve ginásio para ninguém, que isto de andar quase sem conseguir respirar não chama ao exercício físico. Em contrapartida, apetece é aninhar em casa com as mantas, o leitinho quente e umas boas leituras. O meu filho deve pensar da mesma maneira, que hoje de manhã não queria deixar-me sair de casa nem por nada. Bem, na verdade, se o trouxesse comigo, ele viria de bom grado, o que não queria era ficar sem mim, mas acho que por aqui pelo escritório não iriam achar muita piada. Resta-nos esperar, a ambos, que o dia passe depressa para podermos voltar para os braços um do outro.
Falando em leituras, peguei novamente numa série fantástica (por ser tão boa e por ser do género do fantástico), da qual já tinha lido os primeiros livros, daquelas que nos fazem devorar as páginas. Pode não ser a leitura mais erudita, mas é aquela que me faz feliz e tem-me desanuviado a cabeça nas viagens de comboio. 
À noite, depois de deitar a criança, o tempo é para o marido e para as séries que vamos seguindo. Estão quase todas a terminar as suas temporadas, por isso está na altura de pensar em novas opções, a começar pela "La Casa de Papel", de quem toda a gente fala tão bem. A curiosidade já está aguçada, espero agora que as expectativas não saiam furadas. Este ano não há Game of Thrones, por isso ainda não começou a ansiedade da espera, a não ser, claro, para o próximo filme dos Avengers: Infinity War, que vai estrear no final deste mês. Por mim, ia logo assim que estreasse, tal é a excitação, mas a minha companheira de filmes de super heróis está de férias nessa altura, depois sou eu que não estou cá, por isso antevejo que vá ter de me esconder dos spoilers durante alguns dias antes de conseguir deitar o olho ao filme mais aguardado do ano. Logo eu, que sou uma spoiler seeker, ou não tivesse já visto quase todas as cenas disponíveis no Youtube dos próximos episódios da Anatomia de Grey, apesar de ainda ter um ou dois episódios em atraso gravados na box lá de casa (esta não convenço o marido a ver comigo, que hei de fazer?).
E depois de ter para aqui andado a balbuciar meia dúzia de miscelâneas, acho que já me posso calar. O importante até está escrito lá no título: cá por casa, estamos bem! O resto é conversa :)

   

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Até à próxima vez

Acordaste no preciso momento em que eu vesti o casaco para sair para o trabalho. Miraste-me e perguntaste, ainda agarrado ao sapo, cabelo despenteado e chucha na boca, "Vais embora?". Não, filho, não vou embora, mas como explicar que a ausência de um dia inteiro longe de ti é justificada pelo dever profissional que contraria o instinto e o desejo maternal? Como explicar que o trabalho é mais importante do que aceder ao teu pedido para ficar em casa a brincar contigo? Com muito mimo, muito colo, muito amor. Dizendo-te que vou mas volto logo logo, a correr para ti, para onde o meu coração bate. Que vamos passar o dia separados, mas que tu nem vais dar pelo passar do tempo, na brincadeira com os teus amigos. E que, ao fim do dia, serei unicamente tua. Para te ouvir, para te dar colo e cavalitas e mais mimo e uns ralhetes à mistura e matar saudades, muitas, todas as que se acumulam no peito ao longo das horas diárias. Só quando te segurar de novo nos braços, daqui a nada, é que o coração vai aliviar, depois das lágrimas que deitaste esta manhã. Tu já não te vais lembrar delas, mas eu não as esqueci e prometo que vou compensar-te por elas. É assim a vida, com dias em que me dizes adeus sorridente e outros em que choras a minha partida. Os últimos são menos, felizmente, mas custam o dobro, o triplo. No dia seguinte, já passou tudo e voltamos aos sorrisos. Até à próxima vez...

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Rotinas

Devia ser proibido a pessoa levantar-se dos lençóis polares quentinhos quando a noite ainda está cerrada lá fora e o frio gela-nos os ossos. Devia ser proibido a pessoa sair de casa com o céu escuro como breu e os carros cheios de gelo das temperaturas negativas das últimas noites. Devia ser proibido abandonar o conforto do lar enquanto a sua família dorme tranquila e feliz, sair sem trocar dois dedos de conversa com o marido, apenas um beijo suave e os desejos de um bom dia, daqui a pouco já falamos, sem ir ver se o pequeno está bem tapado e quentinho, sem lhe dar um beijinho de miminho de mãe, com medo de o acordar ainda tão cedo que é. Devia ser proibido tudo isto. Mas, nesta fase da vida, é a única forma que tenho de regressar ao ginásio e ao exercício físico. É a única forma que tenho de me mexer, de (re)ganhar músculo perdido em dois anos parada: fortalecer os braços para pegar no filho ao colo, fortalecer as pernas para poder caminhar depressa no regresso a casa, fortalecer o espírito para me sentir cada vez melhor comigo - por dentro e por fora.
Está frio lá fora, está de noite, dormi pouco e quero aninhar-me no marido. Sim, tudo é verdade. Mas também quero aproveitar esta onda de motivação que todos os dias me arranca da cama às seis da manhã para me plantar às sete à porta do ginásio. Treinos curtos e otimizados que às oito há um comboio para apanhar e às nove há trabalho para fazer. Não quero andar a correr, não quero andar a entrar em stress, por isso as coisas estão bem organizadas para não haver atrasos e, quer acreditem quer não, até é uma forma muito mais dinâmica de começar a manhã e deixar-me totalmente pronta, alerta e motivada para o que vou encontrar ao longo do dia. 
Mas não quero atirar os foguetes para já... ainda vamos no início do inverno e a chuva ainda não chegou a sério - e o que me desmotiva a chuva! - por isso ando a levar tudo com calma, um dia de cada vez, esta nova rotina que criei para mim.




*Imagens retiradas do Pinterest.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Eu fiz um chá...

Ontem cheguei a casa já em cima das oito da noite: tirar sapatos, tirar casacos, lavar as mãos, fechar persianas, vestir a bata do Tiago para que ele pudesse pintar com canetas de feltro, ir aquecer o jantar, pôr a mesa, ir várias vezes ao quarto do Tiago responder às suas mil solicitações, chamá-lo para a mesa e começar a comer. Estando ele já despachado, pus um chá a fazer e ia começar a arrumar a lancheira e as coisas do ginásio quando o Tiago me disse que também me queria ajudar a fazer aquilo. Eu acedi e acabei por me sentar à mesa com ele (se há coisa que me faz confusão é deixá-lo a comer sozinho, não gosto, não consigo, paro tudo o que tenho para fazer para ficar com ele, na mesma divisão que ele, pelo menos).
Entretanto, o marido chegou. O Tiago acabou de comer e eu, que tinha de fazer um telefonema inadiável, deixei-os aos dois. Enquanto eu estive indisponível, o marido fez almoço para hoje, lavou a loiça, arrumou as lancheiras e as coisas do ginásio, respondeu às mil solicitações do filho, pôs roupa a lavar, estendeu a roupa, lavou os dentes, deu banho e deitou o Tiago, acordou quando o filho acordou com fome, deu-lhe comida e voltou a deitá-lo. E ainda me deu atenção. 
E eu? Eu fiz um chá. Porque sei que tenho o melhor marido do mundo, que me dá todo o apoio e com o qual posso sempre contar quando preciso. Ontem precisei de não ser mãe nem dona de casa durante algum tempo e ele esteve lá para garantir que eu não precisava de me preocupar. Ele está lá todos os dias. Todos. E eu, que fiz um chá a pensar nele, valorizo muito, mesmo muito, esta excelente equipa que nós somos!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Regressar

Estive uma semana e meia de férias. Não foram umas férias calmas e tranquilas, antes pelo contrário, mas foram tão cheias de coisas e de reuniões e de trabalho, que tivemos de condensar todos os momentos de lazer e de fazer render o mais possível o nosso tempo a três. Houve direito a passeios, a ir ao teatro (fomos ver o Hakuna Matata, na Academia de Santo Amaro, e tenho mesmo de vos falar desta peça que o Tiago adorou!), a ir à praia, a muitos mimos, a muita diversão, a muitos momentos muito bons!
De tal forma que, apesar de ter sido apenas semana e meia ausente da rotina e do escritório, pareceram-me semanas, meses... E hoje custou. Custou particularmente quando o Tiago, ainda grogue de sono, me perguntou "onde vais, mãe?", fazendo beicinho à minha resposta de que vinha trabalhar. Ai, vida de pobre que tem de trabalhar para pagar contas! 
Amanhã vai continuar a custar, aposto. Mas entretanto, já são seis da tarde e o trabalho acabou por hoje e o meu filhote espera que eu o vá buscar ao colégio. Esta é a parte que menos custa, aquela em que corro para ele (e para o pai dele) ao fim do dia! Até amanhã!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Regressar

De regresso ao trabalho, às rotinas, às viagens de comboio, aos momentos de leitura e à minha autora favorita!

domingo, 14 de maio de 2017

Ao domingo, publicidade! #168


Lá em casa, é tudo a meias. Umas vezes faz mais um, outras faz mais outro. Partilhamos as tarefas domésticas e as tarefas com o filho. Eu deixo as limpezas maiores da cozinha para o marido, ele deixa-me o ferro para mim - equilibramo-nos nas coisas que gostamos de fazer e naquelas que não gostamos tanto. Mas acima de tudo, não há cá ajudas para lado nenhum. Fazemos tudo a meias. Fazemos tudo juntos!
#doittogether

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Isto de ter filhos cansa

Finalmente, sentada!!
Isto de ter filhos cansa, sabem? E nem digo isto por causa das birras, nem da logística, nem das preocupações que um filho nos pode trazer. É num sentido mais concreto: sabem aqueles deliciosos dias de férias, fins de semana ou feriados em que não se fazia rigorosamente nada? Pois, esses dias acabaram!
Claro que é por uma causa melhor, mas convenhamos que passar os nossos dias de descanso a andar de um lado para o outro, a correr atrás dos filhos, a fazer atividades que quase nunca escolhemos por iniciativa própria e nem gostamos assim tanto por aí além ("Mãe, empurra o Tiago!", "Pai, vamos fazede uma roda!"), não é propriamente o nosso ideal de descanso.
É maravilhoso vê-los crescer, correr, saltar, rir, criar memórias felizes - para eles e para nós, que vamos sempre recordar com carinho estes momentos. Contudo, confesso-vos que me sabe muito bem quando deito o meu bebé, lhe dou um beijo de boas noites, saio do quarto e finalmente posso sentar-me finalmente no sofá, com o marido, a ver uma série em paz.
Bem, já chegou o marido com as pipocas! A série aguarda-nos. Até amanhã!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Fim de semana sem filho

Este fim de semana, o Tiago vai dormir a casa dos avós, porque os pais precisam:
a. de uma escapadinha romântica cheia de namoro e mel num destino paradisíaco?
b. de ir a um evento exclusivo para adultos, onde só entram pessoas com mais de metro e meio de altura?
c. de ir às compras e de fazer arrumações em casa, sem um pirralho alapado às nossas pernas?
Pois, o Ikea espera por nós. E os armários lá de casa também.
Vai ser um fim de semana tão divertido!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

É preciso paciência


No domingo, esta que vos escreve aterrou no sofá antes das dez da noite, depois de um fim de semana cheio, super preenchido e muito bom. Diz o marido: "Queres ver um episódio de alguma série?" Resposta pronta: "Ainda não são dez, amor. Não queres ver antes um filme? É cedo!"
O marido concordou, olhámos para os filmes gravados e vimos lá o Ocean's Thirteen, que ambos já tínhamos visto, mas do qual não nos lembrávamos bem e que era levezinho para distrair. 
Passados vinte minutos de filme, adivinhem lá quem estava a cabecear e a fechar os olhos? Meia hora depois do filme começar, adivinhem lá quem ferrava profundamente no sono, toda torcida no sofá, mas quentinha debaixo da manta? Pois, claro, aqui a je
Depois do filme acabar, e eu acordar meio estremunhada e constatar o óbvio com um "Adormeci!", como quem diz olha, está a chover num dia de sol!, o marido olha para mim com um leve ar exasperado e diz "Íamos ver um filme porque ainda era cedo, não era?"
E eu admito que, já que em 90% dos casos acabo por adormecer, devia saber melhor. E que é preciso mesmo muita paciência para me aturar e ainda aceitar ver filmes comigo ao lado a dormir ferrada!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

São vidas

No outro dia, combinei com uma amiga telefonar-lhe ao fim do dia. Esqueci-me. Muitas vezes, a minha mãe e eu dizemos que falamos melhor à noite. Quase nunca acontece. Andei a ver umas formações online para fazer, depois do Tiago adormecer. Ainda só fiz as primeiras duas lições. 
Depois de ir buscar o Tiago ao fim do dia parece que é só um piscar de olhos até já ser hora de ir deitar: chegar a casa, dar jantar ao filhote, jantarmos nós adultos, brincar durante quinze minutos/meia hora, dar banho, ler a história e deitar o pequeno, arrumar as coisas para o dia seguinte e dedicar um bocadinho para conversar e namorar com o marido. Quando dou conta já passa das onze, já não são horas de ligar a ninguém, já não tenho cabeça para ir ligar o computador.
Há vidas piores. Há pessoas com mais força de vontade e menos necessidade de dormir. Há quem tenha agendas muito mais preenchidas que a minha. São vidas e não me queixo da minha, mas há semanas em que o sono e o cansaço vencem e quando o Tiago adormece só me apetece sentar no sofá e olhar sem ver a televisão ou o telemóvel ou aninhar-me no abraço quente do marido e ficar ali a gozar a estupidificação do cérebro que já não está a funcionar. 
Hoje é um daqueles dias em que até vou com vontade de fazer mais uma lição do curso, fazer umas pipocas e ver uma série, fazer os telefonemas em falta. Mas digo isso agora. Daqui a três horas vamos lá ver se o sentimento se mantém!





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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sair 5 minutos mais cedo

Nos últimos tempos tenho tido dificuldade para me entender com o trânsito. É só de mim ou tem estado um bocadinho caótico? Já cheguei a apanhar fila quase à porta de casa e meia dúzia de metros à frente já não haver nada e tudo fluir pacificamente só para daí a mais um pouco haver fila novamente. Já para não mencionar no aumento gigantesco de carros a quererem estacionar no parque da estação, o que me leva às vezes a perder 5 minutos só para passar a cancela do dito parque (pago, claro!).
Tudo isto junto tem feito com que esteja a ser particularmente difícil regular a hora de chegada ao trabalho - ando a oscilar entre chegar a horas ou chegar até dez minutos atrasada. E se bem que não é o fim do mundo, anda a irritar-me um bocadinho.
Hoje decidi que ia sair de casa cinco minutos mais cedo. Apanhei o mesmo trânsito mas ia sem stress, estacionei nas calmas, caminhei para o comboio em vez de correr. Foi um bom começo de dia! Foi tranquilo.
Agora é antecipar a saída de casa todos os dias em cinco minutos. Hoje foi fácil: o Tiago estava a dormir, demorei pouco a arrumar a loiça lavada de ontem, a fazer o pequeno-almoço e a comer... Vamos ver como corre este meu plano em dias que não fluem tão bem e com um filho pequeno a pedir atenção e mimos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A vida pelos olhos de uma míope

No outro dia, parada no trânsito a caminho da estação de comboios, tirei os óculos para os limpar. Entretanto, uns quantos carros à frente do meu, alguém deu passagem a uma carrinha branca que vinha de uma saída à direita e que queria virar à esquerda, ou seja, na direção contrária àquela em que eu ia. Até aqui tudo bem. E agora, eis o que aconteceu de seguida:

Visão de mulher míope sem os seus óculos: A carrinha branca vira à esquerda, faz uma curva larga e eu vejo um saco do lixo preto voar junto à berma da estrada oposta à minha faixa. A carrinha para imediatamente e saem dois homens lá de dentro. 

Visão de uma mulher míope que entretanto pôs os óculos: Dois homens saem da carrinha e vão imediatamente socorrer o tipo vestido de preto que estava junto da mota preta caída na berma da estrada, com peças espalhadas um bocadinho por todo o lado. O homem da mota já está de pé e, aparentemente, incólume, mas com um ar deveras chateado. Saca do telemóvel e liga para alguém, suponho eu que para a Polícia. 

O trânsito arranca e eu avanço, deixando de ver esta cena na curva seguinte. Não sei qual foi o desfecho, mas o que mais me espantou, aquilo que me exaltou mesmo, foi não ter visto o que se passou quando aconteceu literalmente debaixo dos meus olhos. Não vos sei dizer o que aconteceu, se a mota vinha da esquerda ou da direita, se a carrinha lhe bateu de frente ou de trás, se o condutor voou ou não... Não sei, porque simplesmente não vi. Vi manchas de cor e o meu cérebro interpretou-as dentro da realidade que eu achei plausível, porque nunca me passou pela cabeça testemunhar um acidente assim, em primeira mão. Fiquei parva porque, até agora (e já se passaram alguns dias) eu continuo a replicar as imagens na minha cabeça e só vejo uma coisa preta a esvoaçar que se me continua a assemelhar muito a um saco de lixo. Só que não. era uma mota com um condutor. Que, felizmente, espero eu, ficou bem, apesar do acidente.
Realmente, isto de ser míope tem muito que se lhe diga!

Como veem os míopes.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Sabes que o outono chegou

Sabes que o outono está a chegar quando chegas a casa e, na rua, já se sente o cheiro a lareira no ar. Sabes que o outono chegou mesmo quando é na tua casa que acendes a lareira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A semana passou demasiado depressa, não passou?

Tinha tanta coisa para fazer. Queria passar a ferro a montanha de roupa que está no açafate, queria ir mandar limpar os cortinados, queria ir arranjar o carro, queria ir comprar umas coisas que me fazem falta, queria arrumar as tralhas da garagem... Queria aproveitar a semana sem filho para despachar uma série de assuntos. Não fiz absolutamente nada. A roupa continua por passar, as tralhas por arrumar, as janelas sem cortinados, enfim...
Sinto que a semana passou a voar. Ainda ontem estava de regresso e já estou de fim de semana outra vez. Não é uma queixa, atenção, que logo já me vou pôr a caminho para ir ter com o meu filhote, mas é uma sensação estranha de vazio: para onde foram os dias?
Tiveste três dias em que podias ter feito isso tudo, Alexx Maria, dirão vocês. Recordo-vos que tenho estado meio entrevada das costas, entretanto houve um velório e uma sessão de cinema que já andava a ser adiada há muito e hoje já é dia de partir. E não me arrependo de não ter feito as coisas. Apesar de não ser desmazelada com a casa e com as minhas obrigações domésticas, a verdade é que elas ainda cá vão estar quando eu voltar, enquanto o tempo perdido em que não namoro com o marido, não vou ao cinema, não janto com os meus pais (e hoje a minha mãe vai fazer assim uma comida divinal), é tempo que não volta. E são esses os momentos que valem a pena recordar - duvido muito que, quando alguém pega nas memórias da sua vida, as primeiras que lhe surjam sejam as da lida doméstica!
Ainda assim, a semana passou a voar. Só espero que o fim de semana se demore um bocadinho mais...