terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Até à próxima vez

Acordaste no preciso momento em que eu vesti o casaco para sair para o trabalho. Miraste-me e perguntaste, ainda agarrado ao sapo, cabelo despenteado e chucha na boca, "Vais embora?". Não, filho, não vou embora, mas como explicar que a ausência de um dia inteiro longe de ti é justificada pelo dever profissional que contraria o instinto e o desejo maternal? Como explicar que o trabalho é mais importante do que aceder ao teu pedido para ficar em casa a brincar contigo? Com muito mimo, muito colo, muito amor. Dizendo-te que vou mas volto logo logo, a correr para ti, para onde o meu coração bate. Que vamos passar o dia separados, mas que tu nem vais dar pelo passar do tempo, na brincadeira com os teus amigos. E que, ao fim do dia, serei unicamente tua. Para te ouvir, para te dar colo e cavalitas e mais mimo e uns ralhetes à mistura e matar saudades, muitas, todas as que se acumulam no peito ao longo das horas diárias. Só quando te segurar de novo nos braços, daqui a nada, é que o coração vai aliviar, depois das lágrimas que deitaste esta manhã. Tu já não te vais lembrar delas, mas eu não as esqueci e prometo que vou compensar-te por elas. É assim a vida, com dias em que me dizes adeus sorridente e outros em que choras a minha partida. Os últimos são menos, felizmente, mas custam o dobro, o triplo. No dia seguinte, já passou tudo e voltamos aos sorrisos. Até à próxima vez...

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