“Há quem leia porque aos dez anos teve uma pneumonia e para matar as horas de aborrecimento não lhe ocorreu melhor coisa do que ler Stevenson. Até hoje. O curioso é que todas as pessoas, sejam ou não leitoras, podem falar da sua genealogia como leitores ou não-leitores, sempre com referência a uma contingência ou um mero acaso. Ou seja, o ato de ler não nasceu quase nunca de um ato puro de vontade ou da falta dessa vontade. Foi sempre a resposta a uma situação. Convém então repeti-lo: chega-se à leitura graças a um golpe de dados, quer dizer, a encontros e desencontros ocasionais”, explica Álvaro Magalhães.
Por causa desta citação deste artigo, hoje dei por mim a pensar nas circunstâncias da vida que me puseram neste trilho de leituras, nesta paixão gigante que são os livros. E sei que começou com os meus pais e com a minha avó. Lembro-me de ser muito pequenina e de a minha avó inventar histórias para eu comer a sopa - não eram livros, mas eram histórias, eram aventuras inventadas no momento, que alimentavam o bichinho da minha imaginação. À noite, sempre, a história antes de ir dormir e aqui o melhor contador era o pai, que nunca foi leitor assíduo (em toda a minha vida, lembro-me de o meu pai ler de fio a pavio apenas dois ou três livros). E as histórias e os livros faziam parte da infância.
Depois, aos sete anos, foi quando se acendeu "o fogo interior", a minha "caixa de fósforos imaginária", como diz o artigo. Estava no segundo ano do ensino primário e, numa sexta-feira, a professora, a querida D. Olinda que nos tratava mais como netos do que como alunos, anunciou-nos que, agora que já sabíamos ler, podíamos e devíamos ir escolher um livro da pequena estante ao fundo da sala para levar para casa e ler, e que o devíamos devolver na semana seguinte. Uma espécie de biblioteca improvisada ali na sala de aula, um contrato de leitura antes de o mesmo ser normal nas escolas portuguesas. Havia vários livros à disposição, mas lembro-me de ter pegado num exemplar velhinho d'Os Sete, da Enid Blyton. Já nem me lembro qual o título, mas lembro-me muito bem de ser o meu primeiro livro sem bonecos, sem imagens, o primeiro livro "a sério" - era um desafio, mas eu estava pronta. E adorei cada momento! Ficou ali traçado o meu percurso literário; nunca mais parei!
Claro que, para isso, muito contribuiu a minha mãe, já que quando cheguei a casa com o livro dos Sete, toda excitada com a nova aventura que ia viver, a minha mãe lembrou-se da sua coleção completa d'Os Cinco - "Se gostares desse, então vais gostar destes de certeza!". Li os 21 livros originais todos uns a seguir aos outros. E depois juntaram-se novas coleções: Uma Aventura, O Clube das Chaves, o Triângulo Jota, O Bando dos Quatro, os clássicos da Verbo, a coleção Profissão Adolescente, entre tantos outros. Ainda os tenho a todos guardados em casa dos meus pais, pode ser que um dia o fósforo do meu filho se acenda e ele queira imitar os passos de sua mãe.
Claro que, para isso, muito contribuiu a minha mãe, já que quando cheguei a casa com o livro dos Sete, toda excitada com a nova aventura que ia viver, a minha mãe lembrou-se da sua coleção completa d'Os Cinco - "Se gostares desse, então vais gostar destes de certeza!". Li os 21 livros originais todos uns a seguir aos outros. E depois juntaram-se novas coleções: Uma Aventura, O Clube das Chaves, o Triângulo Jota, O Bando dos Quatro, os clássicos da Verbo, a coleção Profissão Adolescente, entre tantos outros. Ainda os tenho a todos guardados em casa dos meus pais, pode ser que um dia o fósforo do meu filho se acenda e ele queira imitar os passos de sua mãe.
Pelo menos, já o começou a fazer com a coleção da Rua Sésamo que, mesmo ao fim de 30 anos, continua pronta para as curvas e para muitas leituras entre mamã e filhote.

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