Há coisas que só se conseguem com esforço, conquistas que ainda sabem melhor por causa do trabalho que tivemos para as alcançar, o gostinho da vitória que nos fica na alma ao ver concretizado o nosso objetivo.
Há coisas que só se conseguem com trabalho e força de vontade. Sei que nunca terei uma barriga tonificada e um rabo sem celulite se não me mexer e fizer por isso. Se não largar os chocolates, aderir às dietas, abandonar o sofá e agarrar-me ao exercício. Se não acertar ritmos entre a mente e o corpo e arranjar em mim o espírito certo para avançar nesta coisa de melhorar a saúde e o corpo.
Ando preguiçosa, ando gulosa, ando sem vontade nem paciência para contrariar os meus desejos de doces e de descanso. Virei lontra de sofá, sem culpas nem remorsos. Se, ao mesmo tempo que estico as pernas e descanso as costas e a cabeça, tiver por companhia um balde de pipocas, melhor.
E, no meio de toda esta indolência, com a qual já fiz as pazes e da qual não me envergonho, eis que surge uma boa surpresa: cheguei aos 61 kg.
Pelo menos, foi o que me disse ontem a balança e eu acredito. É menos um quilo e meio desde a última vez que me pesei, há cerca de dois meses. E menos quatro do que tinha desde que fui mãe. Acho que o verdadeiro ponto de viragem foi este: ser mãe. O corpo mudou, alargou, esticou e depois começou, aos poucos, a regressar ao sítio. Demorou, houve roupa que ainda demorou a voltar a servir e que, agora, me fica larga. Apenas uns centímetros, mas o suficiente para eu perceber que não é só a balança que confirma esta evolução.
E sinto que tudo se tornou mais fácil quando fiz as pazes com o meu corpo e lhe dei espaço e tempo para se adaptar à nova vida. Se o ajudei de alguma maneira? Antes pelo contrário (lembrem-se dos chocolates e das pipocas), mas também não o forcei, não ME forcei a enveredar por um caminho que não me fazia sentido na altura. E que ainda não faz. Já fiz dietas no passado. Certamente, em alguma altura do futuro voltará a acontecer, mas não agora. Não neste momento. A cabeça não está lá ainda e, pelos vistos, o corpo diz-me que não precisa. Posso não ser a pessoa mais magra e tonificada, posso ainda não ter atingido o peso ideal, posso continuar a ter gordurinhas aqui e ali, mas este é um momento de paz. Um momento de alegria. Sinto-me feliz com o meu corpo, com a minha imagem, com o que vejo e sinto todos os dias. E isso, isso vale mais do que qualquer coisa!