sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Do medo e da fé

Todos os dias tenho medo. Um medo mudo e pequenino, que se infiltra devagarinho na nossa mente e na nossa alma. Medo de que os meus sonhos não se realizem. Medo de não ser capaz de lutar por eles. Medo de não ter e não ser o que é preciso. Medo de não ser suficiente. Medo de falhar.
Todos os dias tenho medo. Ele chega de mansinho, eu reconheço-o e aceito a sua existência (todas as nossas emoções são válidas e torna-se mais fácil lidar com elas quando assumimos que elas existem), e depois respiro bem fundo, fecho os olhos, encho o peito de ar e mando o medo dar meia volta e ir-se embora. Mando-o embora porque ele não pode ocupar o lugar que reservo diariamente para a fé.
Todos os dias tenho fé. Esta é mais difícil de encontrar, não vem espontaneamente, sou eu que a busco, que a puxo, que a chamo para mim. Reservo-lhe lugar de direito na casa que é a minha alma e não deixo que o ocupem. Abraço-a com força, em busca de respostas e de certezas que ela nunca me dá, mas abraço-a mesmo assim. Dou-lhe a mão e recuso que ela vá embora, por mais difíceis que sejam os dias. E ela fica, às vezes tímida, outras dona e senhora, acalmando-me a alma e o coração, fazendo-me acreditar em mim, no futuro e também no presente.
Todos os dias tenho medo e tenho fé. Uma luta constante em mim, uma escolha consciente que faço diariamente. Não é ver o copo meio cheio. É saber que ele está meio vazio mas que podemos voltar a enchê-lo. É acreditar que a vida sabe o que faz e que nascemos para ser felizes. Acreditar e fazer por isso. Sem medo ou com medo. Com medo e com fé.



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