No outro dia, a pedido do Tiago, fomos ao "parque da pinha" - um parque infantil perto de casa, que ganhou esse nome informal entre nós por causa dos muitos pinheiros que por ali se encontram. Durante uma hora, a diversão do meu flho, ignorando escorregas e baloiços, foi recolher as agulhas secas caídas no chão em pequenos montes e fazer "fogareiros" imaginários onde coznhava depois comida para ele, para a mãe e para o pai. Várias vezes lhe perguntámos se não queria andar no escorrega ou nos cavalinhos ou se, porque estava muito calor, não queria voltar para casa e ir à piscina, mas ele estava genuinamente feliz no seu mundo faz-de-conta. Acabámos por desistir e ficar sentados num banco a vê-lo brincar.
Às vezes, tenho a sensação de que somos nós, pais, que não damos espaço aos nossos filhos para se sentirem aborrecidos - antes sequer de isso acontecer já lhes estamos a impingir uma qualquer atividade ou passeio ou jogo. Às vezes, fazemos isso com o Tiago: insistimos com ele para ir aqui ou ali quando ele não mostra muito interesse, propomos-lhe planos alternativos quando na verdade ele só quer ser deixado em paz. Na nossa ânsia de lhe mostrar coisas, de o tirar de casa e da frente da televisão, nem sempre compreendemos que às vezes ele só quer passar uma tarde inteira a vegetar em frente à Patrulha Pata; ou dar largas à imaginação com meia dúzia de agulhas de pinheiro em vez de andar para cima e para baixo nos escorregas. Às vezes, temos de parar e ouvir as nossas crianças, mesmo aquilo que elas não dizem - deixá-las respirar, brincar e, porque não?, aborrecer-se um bocadinho de vez em quando. Pode ser que acabem por descobrir coisas novas e brincadeiras diferentes e libertar a imaginação sem que estejam sempre a ser formatadas por nós, adultos. Mesmo que isso nos aborreça também um bocadinho.






