... é dizer-te, de cada vez que me perguntas, de cinco em cinco minutos, se vamos para casa, que não. Que não vamos para casa. Que tu não vais para casa, pelo menos para já. E ver, naquele momento em que a realidade desce sobre a tua mente nublada, a tristeza que enche os teus olhos e o teu coração.
De tudo, é isso que mais me dói: quebrar a tua ilusão como quem rouba os sonhos a uma criança, como quem rouba a esperança a quem nos é tão querido. Porque a cada resposta que te dou, mesmo que com voz doce e tom meigo, o meu coração parte-se um bocadinho, as lágrimas ficam mais perto dos olhos e o fim aproxima-se um bocadinho mais do horizonte... Quem me dera não ser obrigada a partir os nossos corações aos poucos, quem me dera que não fosse esta a nossa realidade.
Apesar de tudo, dir-te-ei as vezes que forem necessárias a verdade. Que é esta: gosto muito, muito de ti!



