Hoje, 9 de novembro de 2016, o mundo mudou. A maior parte de nós acredita que para pior. Porque pior do que existir alguém que seja narcisista, racista, sexista e muitas outras coisas más acabadas em -ista, é haver tanta gente a votar numa pessoa assim, a acreditar numa pessoa assim, a identificar-se com uma pessoa assim. E isso assusta. Não por causa de Trump, nem apenas por causa dos muitos americanos que são como ele, mas por sentir que gente assim há em todo o mundo e que dar-lhes nem que seja um bocadinho de poder é permitir-lhes existir e crescer e tornar o mundo num lugar um bocadinho menos bom.
No entanto, não consigo ser pessimista sobre este resultado. Quero mesmo acreditar que, tal como todos os outros políticos em campanha, uma vez chegado ao poder, Trump não conseguirá fazer metade das barbaridades que prometeu. Menos ainda quando as mesmas começarem a interferir com as relações internacionais do país. Porque, ao contrário do que os filmes e as séries nos querem fazer pensar, a América não é o país mais importante do mundo e aquele que tudo resolve no final da história; precisa dos outros, precisa de amigos e aliados. Ou seja, acredito que, apesar de se ressentir, o mundo não vai acabar. A conversa é diferente para os americanos. Já se fala em acabar com muitas medidas que o Obama criou de apoio a um estado mais social, como o Obamacare. Dentro do país, sim, as coisas vão mudar e não se antevê nada de bom, infelizmente para todos e principalmente para as mentes abertas e racionais que não escolheram isto. Mas foi este o líder que a maioria deles escolheu, foram estes os políticos que a maioria deles pôs no poder. Agora, durante quatro anos (e esperemos que sejam mesmo apenas quatro anos), terão de viver com as escolhas que fizeram nas urnas. Que é mais do que os portugueses podem dizer com o seu atual governo... Será que se a Hillary se juntar aos candidatos independentes conseguem fazer o que o António Costa fez e mandar o Trump dar uma curva?
É curioso ver como ele ja teve um discurso mais moderado hoje de manhã. No fundo, os republicanos que o rejeitaram quando ele fez comentários xenofobos e racistas têm agora todo o poder na câmara dos representantes. Se correr tudo bem, ele não vai conseguir fazer nem metade do que prometeu aos neonazis e supremacistas brancos que encheram os seus "rallys"...
ResponderEliminarSim, é isso. Ao contrário do que se pensa, o POTUS não é o homem mais importante de todo o mundo e não governa sozinho. Sim, claro que em caso de guerra é ele que comanda e dá as ordens, mas no dia a dia, ele tem mesmo de trabalhar com os outros. Vamos ver no que isto vai dar...
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