terça-feira, 9 de agosto de 2016

Quem sai aos seus...

Não como queijo. Não gosto do sabor, do cheiro, da textura. Durante anos, cheguei a fugir do queijo a sete pés (tenho algumas memórias caricatas do meu tio a perseguir-me pela casa para me fazer festinhas depois de ter andado a mexer no queijo)... Não sei quando começou esta aversão, mas sei que foi num tempo antes de eu ter memória de mim: nunca me lembro de ter comido queijo. Com a idade, tornei-me menos radical e até já como queijo na piza e na lasanha e no cheesecake, mas chega; basta saber-me mais a queijo para já não conseguir comer!
Agora, é o Tiago que não gosta de queijo. Nem do flamengo, nem do fatiado, nem dos Babybel de que aparentemente todas as crianças gostam. Basta mostrar-lhe e ele faz uma careta e vira a cara, nem sequer quer provar. O marido já o tentou enganar e, quando o Tiago lhe pediu pão, apontando para a sua sandes de queijo, deu-lhe pão e queijo juntos. Resultado: o miúdo nem mastigou, cuspiu tudo imediatamente.
Não fosse ele tão boa boca para tudo o resto, nós até poderíamos não estranhar. Mas a verdade é que o Tiago come tudo o que lhe damos. Tudo. Menos queijo. E a mãe, que é muito mais esquisita que o filho e que tem mais umas quantas coisas que não come de todo, acaba a pensar que enquanto for só o queijo, não estamos mal. Afinal, com dois pais tão esquisitinhos, podia-nos ter calhado pior sorte. é que quem sai aos seus não degenera.


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