quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Praia com um bebé: afinal não é um bicho de sete cabeças!

Há uns tempos, uma amiga minha que foi mãe recentemente dizia-me que não estava à espera de ser tão difícil isto da maternidade. Estando ela a vivenciar uma experiência tão diferente da minha, fui incapaz de lhe dizer na cara o que me passou pela cabeça: eu não estava à espera que fosse tão fácil. Claro que nem tudo é um mar de rosas e houve momentos mais complicados, mas acho que me tinha preparado, que tinha esperado que fosse muito pior do que alguma vez foi. 
Por exemplo, no que diz respeito à praia, sempre achei que ir para a praia com um filhos pequenos implicava uma grande logística - sombras, toalhas, roupas extra para trocar, comida e bebida, brinquedos... Sim, sim, pode implicar tudo isso, mas desde que se saiba relativizar (e principalmente adaptar às necessidades de cada família) consegue-se simplificar e tornar a coisa muito mais prazenteira para todos. 
Por exemplo, nas férias fomos sempre com o Tiago à praia (a praia fica a mais ou menos 12 minutos a pé da casa onde estávamos). Connosco levávamos apenas duas mochilas para termos os braços desimpedidos para carregar o Tiago ou dar-lhe a mão - nas raras vezes que conseguíamos que ele fosse a andar pelo seu próprio pé. Numa mochila iam duas toalhas de praia. Na outra seguia o balde, a pá, a bola e as formas de areia; a garrafa de água para os pais; a lancheira pequena com fruta e água para o Tiago e as coisas necessárias para quem tem um bebé: toalhitas, um body para o caso de ele sujar a roupa que levava, uma ou duas fraldas extra, a fralda da praia e o calção de banho para vestir por cima. 
O protetor era posto em casa, muito bem espalhado em todo o corpo. E o chapéu de sol ficava arrumado, já que nunca parávamos na toalha a não ser para vir embora. Escusado será dizer que nunca ficávamos na praia na hora de maior calor, não íamos passar o dia, por isso não precisávamos de mais nada. Conheço pais que levam um segundo calção de banho para trocar quando o filho chega à toalha - no nosso caso, quando o Tiago chegava à toalha, embrulhado numa e sentado na outra (na qual cabíamos os três bem apertados) era para beber água, comer a fruta e a seguir limpá-lo, vestir-lhe a fralda limpa, a t-shirt e os calções e regressar a casa. Vi pais que levavam uma piscina pequena - a piscina do Tiago era a beira-mar, com as suas ondinhas e pocinhas. Há quem prefira levar o protetor e espalhá-lo já na praia - para nós faria sentido pôr mais protetor se ficássemos na praia mais de duas horas (aliás, quando fomos ao Badoca Safari Park levámos connosco o protetor e fomos ponto várias vezes ao longo do dia).
Ou seja, adequámos a nós o que nos fazia falta. E descobrimos que era tão pouco. Porque o muito era vê-lo a correr pela praia, a fazer buracos na areia, a cair de rabo na beira-mar, a ir ao banho connosco, a deliciar-se com fruta fresca e a ficar com as mãos todas lambuzadas de pêssego ou melancia. Era vê-lo rir-se, interagir com os outros meninos e meninas que por ali andavam, pedir-nos para desenhar aviões na areia molhada. E eu, que detesto areia apesar de adorar a praia, até me cheguei a pôr de joelhos para fazer castelos na areia, levei com pés gelados e cheios de areia na barriga de lhe pegar ao colo, fui acarinhada com mãos todas sujas e nunca fui tão feliz! Nem mesmo quando devorava livros que agora nem sequer penso em levar. Talvez um dia, daqui a uns anos, tudo volte a mudar. Por enquanto, eu gosto muito de como está!


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