Se há coisa de que me orgulho secretamente é do encanto que o Tiago tem pelos livros.
Isto porque, apesar de a mãe ser uma reconhecida devoradora de histórias e de o Tiago já ter uma simpática coleção de livros (entre os que eu fui buscar da minha infância e os que lhe foram oferecendo ao longo do último ano), a verdade é que nunca o pressionei nesta questão da leitura. De início, achava-o demasiado pequeno, com a atenção a dispersar-se por muitas coisas ao mesmo tempo; depois, ele estava mais interessado em roer os livros e arrancar páginas do que olhá-los com olhos de ver - valeram-nos nessa altura os livros do banho, que ele babava todos, e uns de espuma que lhe comprei e que já tiveram o seu funeral há bastante tempo tal o estado em que ficaram.
Mas o tempo foi passando, a atenção foi aumentando e o interesse também. No banho, O Sapo Saltitão tornou-se companhia diária e chegava a pedir-me para lhe ler a história (curtinha e muito divertida como se quer) várias vezes. Depois encantou-se com os livros dos animais (com o "cão" e o "miau" e o "memé" e o cavalinho) e com livros de texturas (numa página um brilho, noutra um tecido fofinho) e perde-se, minutos a fio, a virar as páginas para a frente e para trás, a fazer os sons, a apontar para as imagens...
Tal é a paixão pelos livros que agora, todas as noites depois do banho, quando me sento com ele no cadeirão do seu quarto, aponta imediatamente para a estante e não descansa enquanto não lhe ponho um livro nas mãos. Lemos duas ou três histórias, ele sempre muito participativo, e depois é o cabo dos trabalhos para o pôr na cama. Porque ele quer mais, quer mais histórias, quer mais livro. Tenho-me rendido e deito-o com um livrinho pequenino, de cartão grosso, que ele fica a agarrar mesmo quando lhe apago a luz e tento que ele adormeça. Tenho-o deixado assim, agarrado à almofada do Vitinho, à chucha e ao livro, até adormecer.
E, embora me exaspere que a hora do deitar não seja tão fácil como noutros tempos, orgulho-me secretamente deste enorme amor que o Tiago está a desenvolver, confiante de que o faz por iniciativa própria e não por qualquer pressão minha. E fico feliz por vê-lo tão calmo e tranquilo na sua cama, agarrado ao livro, adormecendo-se sozinho e em tão boa companhia, uma companhia que apenas os verdadeiros amantes de livros apreciam.

Tao bom ♡♡♡
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