quarta-feira, 22 de junho de 2016

Palavras dos outros #2

Sinto-me velha.
Gosto de horas certinhas.
Gosto de saber o que vou fazer amanhã.
Gosto de ir de férias com casa-de-banho privativa.
Agasalho-me.
Medico-me. Conduzo com prudência. Há coisas que não digiro. Já não compro coisas na Bershka. (eles realmente põem a música muito alta lá)Não compreendo o Snapchat. Já tentei mas não sei onde se carrega, não sei voltar atrás, na verdade não compreendo o objectivo nem tenho sequer contactos de amigos para adicionar (porque também eles se sentem velhos como eu, suponho)A cabeça está cada vez pior mas a memória do corpo está mais vívida que nunca. Uma noite mal dormida são 7 dias inteiros a bocejar e lamentar “aquela noite em que só ferrei 4 horas”. Um shot de tequila é uma decisão de vida. Quero ficar 48h de ressaca à conta disto? Qual era a sequência mesmo? “Sal - shot - trincar o limão”? Já nem me lembro, e ainda bem. Já só tenho um corpo, decidi que é melhor estimá-lo. Gosto de estar em casa. Ler o fim-de-semana inteiro é um programão. Sinto-me o avô Cantigas a passar de carro por Santos numa 5ª à noite. E indigno-me quando vejo miúdas de 13 anos vestidas à senhora. Até já dou por mim a dizer “andei contigo ao colo” a adolescentes borbulhentas que já foram “assim" (e com uma mão estou a mostrar a minúscula altura que tinham)Na volta, só me falta pôr um casaquinho de malha com chumaços pelos ombros e perguntar “então e para onde é que a juventude sai hoje em dia?"

Diz a Bumba na Fofinha. E eu subscrevo... na íntegra! 

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