sexta-feira, 21 de março de 2014

Procrastinação




Com duas opiniões de leituras em atraso (isto se não contarmos os livros infantis da Sophia) e as páginas d'A Sombra do Vento a voarem velozes nas minhas mãos, está a tornar-se óbvio a minha procrastinação em relação a este assunto.
A culpa não é... não, esperem! A culpa é inteiramente minha! Porque ando super preguiçosa e sem vontade nenhuma de fazer aquilo a que me propus quando iniciei o blogue: escrever um post  por dia e uma opinião por cada livro que lesse.
Mas a culpa também é um bocadinho dos dois últimos livros que li. Não me apaixonaram, não me envolveram para lá das suas páginas, não me tornaram sua. E, quando um livro se limita a ficar assim meio morno nas nossas mãos, torna-se difícil saber o que dizer sobre ele. Ainda para mais não querendo revelar pormenores que podem estragar as leituras de quem vem a seguir...
Felizmente, estas páginas que agora leio devoram-me, despem-me do mundo em meu redor e trazem-me embeiçada por elas (houvesse mais tempo para ler e o livro já tinha terminado há muito). Bem me tinham avisado que A Sombra do Vento é um livro muito forte, uma história poderosa e tremendamente bem escrita. Não foi amor à primeira vista, tanto que durante anos repousou na minha estante intocado, mas é um amor cada vez mais forte. É bom, é muito bom, é como um amor se quer: intenso, apaixonado, nada de meios termos, de histórias e de personagens mornas e de páginas que teimam em prolongar-se para além da sua vida. Estas voam, velozes, e à medida que as vejo chegar ao fim começo a sentir a saudade que este livro vai deixar, um livro que me vai provocar ressaca durante alguns dias, em que serei incapaz de pegar noutro. Até por fim iniciar outra leitura, que espero que me arrebate de igual forma. 
“Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.”
in A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

Este não foi o primeiro livro que abriu caminho até ao meu coração. Mas é um dos que lá vai ficar sempre.

1 comentário:

  1. Adoro A Sombra do vento... depois desse li os restantes do mesmo autor :)

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