O Voo do Corvo
Juliet Marillier (Planeta)
Sinopse: Depois de concluir a sua longa e árdua viagem até à base dos Rebeldes em Shadowfell, Neryn tornou-se uma parte vital da rebelião contra o tirânico rei Keldec. Mas, primeiro, terá de procurar os Guardiães das quatro Vigias e completar o treino para se tornar uma Voz. Entretanto, Flint, o espião rebelde por quem se apaixonou, foi de novo chamado à corte de Keldec. O laço que os une é tão forte que, mesmo à distância, se procuram em sonhos.
Os Rebeldes vêem com desconfiança este novo amor que pode pôr tudo em risco. No fim, o amor poderá revelar-se a força motriz da esperança ou a brecha traiçoeira na armadura da rebelião.
Os Rebeldes vêem com desconfiança este novo amor que pode pôr tudo em risco. No fim, o amor poderá revelar-se a força motriz da esperança ou a brecha traiçoeira na armadura da rebelião.
Opinião
No que diz respeito a Juliet Marillier, sou suspeita, por se tratar da minha autora favorita. A sua escrita é mágica e doce e, por norma, as suas personagens são o ponto forte dos seus livros. No entanto, devo admitir que o primeiro livro desta saga, Shadowfell, me desiludiu - a história arrastou-se um bocado, as personagens não me cativaram como habitualmente (principalmente a personagem principal, Neryn, que passou metade do livro adoentada e frágil, sem os traços de personalidade forte e obstinada habitualmente tão marcantes nas personagens femininas da autora) e não senti o mesmo entusiasmo na leitura, o que me provocou algum receio ao pegar neste segundo livro.
Receio infundado, já que O Voo do Corvo foi uma agradável surpresa. A escrita está mais fluida, a história tem um andamento mais rápido e há um maior dinamismo nas relações entre as personagens.
Neryn recuperou da sua doença durante o inverno em Shadowfell e inicia agora a sua demanda pelas quatro Vigias, para encontrar os Guardiães e prosseguir o seu treino para se tornar uma Voz. Na impossibilidade de ser escoltada por Flint, agora regressado à vida de espião duplo na corte de Keldec, Neryn é acompanhada na sua viagem por Tali, uma jovem e implacável guerreira. O afastamento de Flint e a introdução de Tali dão um novo fôlego à história e permitem colocar o foco de atenção na rebelião e na missão de Neryn, relegando o romance para um plano secundário, ainda que sempre presente com as ocasionais aparições de Flint. A dicotomia entre as duas raparigas cria também um contraponto interessante na história, fazendo com que se completem e evoluam ao longo do livro.
Apesar de ainda sentir algumas fragilidades na narrativa, principalmente pelo facto de a história ser contada do ponto de vista da Neryn, o que deixa algumas pontas soltas, e de ter sentido falta de aprofundar melhor a história de Flint, este segundo volume foi muito melhor do que o primeiro. E o final, surpreendente e impensável, deixa entrever um terceiro livro cheio de emoção e surpresas ao virar de cada página.

Sem comentários:
Enviar um comentário