Grávida do Tiago, muita gente me alertou para o efeito que os filhos provocam no nosso sono. Que, apesar do meu sono profundo pré-maternidade, depois de o meu rebento nascer eu ia acordar com todo e qualquer suspiro que sua excelência soltasse. Que uma noite inteira de sono iria ser uma miragem por tempo indefinido, que funcionar com poucas horas de sono iria passar a ser a rotina e não a exceção à regra.
Ouvi tudo e pouco liguei. Sabia lá eu que tipo de mãe ia ser e que tipo de filho ia ter!
Demorei pouco tempo a percebê-lo, depois de o Tiago nascer. O meu filho era o tipo de bebé que gostava de dormir e que pouco acordava e eu continuava a ser o tipo de pessoa que tem um sono pesado e que, quando ferra, não acorda facilmente.
No início, com as hormonas descontroladas e a recém descoberta culpa materna, custou-me e fez-me confusão não acordar ao primeiro som que o meu filho fizesse. Muitas vezes, o meu marido tratava da criança, punha-o de novo a dormir e eu nem dava conta de nada. Ainda é assim nas raras vezes em que o Tiago chora a meio da noite por qualquer motivo: na maior parte dos casos, o pai, que sempre teve o sono leve, é o primeiro a acordar.
Com o tempo, aprendi a aceitar e a relaxar com esse facto. E também com o facto de que, quando o marido não está, eu sinto-me mais alerta durante a noite. Porque sei que tenho de ser eu a ouvir e responder, caso o Tiago chame. Fico tão alerta que, na outra noite em que estava sozinha com o Tiago, depois de o deitar a ele e a mim, acordei sobressaltada com um choro de bebé. Levantei-me e já ia a meio caminho da porta do quarto quando me apercebi que o choro, a plenos pulmões, vinha lá de longe... mais precisamente duas casas ao lado da minha. Era a bebé dos vizinhos que chorava, enquanto o Tiago dormia profundamente. Digam lá se isto não bateu todas as vezes em que nem dei conta que a minha cria espirrou a meio do sono?
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