sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Viciada

Não tenho dormido grande coisa nas últimas noites. Quando isso acontece, geralmente caio de sono no comboio e as leituras ficam relegadas para segundo plano quando as pálpebras teimosamente se fecham embaladas pelo movimento da viagem. Não esta semana. Não com este livro*. 
Demorei uma semana inteira a terminá-lo. Afinal, eram 797 páginas. Mas, ainda assim, pareceu-me que as páginas voaram e que a história terminou (abruptamente) depressa de mais. Se fossem mais duzentas, trezentas, mil páginas, teria continuado a ler com o mesmo empenho e a mesma vontade de devorar a história, as personagens, cada momento. 
É assim que diferencio os bons dos maus livros. Não é pelo nome do autor, nem pela prosa, nem pelas vírgulas colocadas precisamente nos sítios certos ou pelas metáforas inteligentíssimas camufladas em palavras impecavelmente floreadas. É apenas por isto, por esta sensação primária e visceral que cresce dentro de mim e que me impulsiona a virar as folhas, a ler o parágrafo seguinte, só mais dez minutos, entretanto passa uma hora, mas já só faltam duas páginas para terminar o capítulo e ainda assim o olhar foge para as linhas do capítulo seguinte.
Estive viciada neste livro, devorei-o até ao fim, até à última palavra, da última frase, da última linha, da última página. Revivi-o durante o dia, sonhei-o durante a noite. E agora desespero por saber que ainda terei de esperar quase um ano até poder ler a sua continuação. Realmente, leitor sofre!!



*A Guerra Diurna, de Peter V. Brett (editado em Portugal na coleção 1001 Mundos)

1 comentário:

  1. Ontem também estive assim, livro viciante mas precisava de ir dormir. Pensava apenas: «só mais página, só mais uma» e assim fui andando. Quando olhei para o relógio já passava da 1h da manhã mas o livro tinha acabado. Hoje reli partes mais marcantes no comboio e fiquei profundamente ligada a estas personagens. Assim somos, as viciadas em livros. E naqueles momentos esqueci-me das horas, do tempo lá fora ou de mim própria. Só queria devorar a história daquelas personagens e o sono teimava em não vir.

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