sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Dramas na vida de uma mãe #10

Sou, por princípio e convicção, contra o co-sleeping. Ponderando os pratos da balança, vejo mais pontos negativos do que positivos, além de que acredito mesmo que para uma pessoa dormir descansada precisa do seu espaço, sem andar ali às cotoveladas e pontapés ao próximo (não é por acaso que eu e o marido temos uma cama maior do que as camas comuns - é uma trabalheira encontrar lençóis bons e baratos que lhe sirvam, mas é um descanso dormirmos juntos sem estar no caminho um do outro).
Posto isto, eis o drama: o Tiago está doente, muito constipadinho, levou vacinas, tem os dentinhos a romper, fez febre... Além de estar tão entupido que mal consegue respirar. Na outra noite, que já adivinhávamos ir ser muito difícil, acordou de hora a hora, queixoso do mal-estar. A meio da noite, depois de nos termos levantado quinhentas mil vezes para ir ao quarto dele, peguei no pequeno e fomos os dois dormir para o sofá da sala. Recostei-o nuns almofadões para ele estar mais sentado do que deitado e fiquei deitada ao lado dele, a dar-lhe miminho e a acalmá-lo quando ele se queixava, mas sem grandes achegos por causa das febres.
Optei pela solução mais fácil, aquela que permitiu que pudéssemos, pais e filho, descansar melhor durante um par de horas: o pai, que tem o sono mais leve que uma pena, conseguiu enfim adormecer; o Tiago, exausto do esforço para respirar, descansou; e eu, não tendo de me levantar frequentemente e estando ali ao lado para o caso de ser preciso, também dormi.
Sei que esta não é nem pode ser uma opção frequente, até porque na manhã seguinte a única forma de aquecer e relaxar os músculos passou por um banho a escaldar, mas naquela altura pareceu-me a melhor forma de resolver o problema. Até porque acho que tinha eu mais necessidade de estar perto do meu filho do que ele de mim e as opções no quarto do Tiago eram ficar em pé e toda debruçada sobre o berço ou sentar-me no chão e pôr as mãos por entre as grades - nenhuma delas muito apelativa.
Não foi propriamente co-sleeping o que fizemos, até porque levá-lo para a nossa cama em nada ia resolver a situação, mas foi uma espécie de. Foi uma decisão ponderada, face às circunstâncias e foi o melhor para nós os três naquele momento. Na noite seguinte já não foi preciso, não houve febres, a constipação estava melhor e o petiz só acordou uma vez durante a noite. E pudemos todos voltar a dormir tranquilamente, cada qual em seu sítio. Mas ficou-me ainda mais vincada esta ideia, que tenho desde sempre: os pais fazem o melhor que podem, com o que têm. Mesmo que isso implique ser mais flexível e, quando necessário, agir contra os nossos princípios, para bem dos filhos. E dos pais.


PS: Se querem uma opinião fundamentada e muito interessante sobre o co-sleeping, e que vai exatamente ao encontro da minha, leiam aqui a Mum's the boss


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