segunda-feira, 14 de abril de 2014

Opinião: A Chama de Sevenwaters, de Juliet Marillier

A Chama de Sevenwaters

Juliet Marillier (Planeta)


Sinopse: Dez anos depois do terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde Sean de Sevenwaters, regressa a casa. Traz nas mãos disformes as marcas desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais difíceis. Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades. Até porque Sevenwaters está à beira do caos.

Opinião
Voltar a Sevenwaters é como voltar a casa. A primeira trilogia, constituída pelos livros A Filha da Floresta, O Filho das Sombras e A Filha da Profecia, é das melhores histórias que já li em toda a vida: rica, densa, profunda, com personagens inesquecíveis e um final surpreendente, que nos deixa o coração quente, mas também com vontade de saber mais, de atar pontas soltas e de saber o destino das personagens que se nos tornaram tão queridas. Penso que terá sido esse o motivo que levou a autora a regressar a este mundo com uma nova trilogia, pegando uma vez mais nas filhas de Sevenwaters para nos narrarem as suas aventuras.
Neste terceiro e último volume, a voz pertence a Maeve, que esteve dez anos afastada de casa e agora regressa. Apesar de ter ficado terrivelmente queimada e incapacitada no decorrer de um incêndio, a protagonista apresenta-se cheia de força de vontade e com muita capacidade prática para se desenvencilhar sozinha. No entanto, não senti que a autora tivesse trabalhado e aprofundado a personagem como o fez anteriormente, não criei empatia suficiente com a Maeve para conseguir perdoar a Marillier todos os outros pontos fracos deste livro. As aventuras de Clodagh, Sibeal e agora Maeve, nesta segunda trilogia, ficam muito aquém para quem conheceu Sorcha, Liadan e até Fainne, as protagonistas dos três primeiros livros. E isso custa um bocadinho, sentir que um mundo em que nos sentíamos em casa está diferente, está francamente menos bom.
A Chama de Sevenwaters não está de todo imbuída do espírito de final de saga: mais parece uma história normal, individual, sem grandes pontos relevantes, sobre uma jovem que ali cai de para-quedas. De repente, o final é apressado, atribulado e, na minha opinião, precipitado e de repente chegámos ao fim de um ciclo. Também as personagens não são devidamente exploradas, certas situações parecem quase fora de contexto, já para não mencionar que há surpresas que se tornam mais que óbvias ainda antes de serem reveladas. Não, com este último livro, a autora não honrou de todo o mundo maravilhoso que nos apresentou com A Filha da Floresta.
Apesar de tudo, esta é uma leitura leve e agradável para quem não pretende exigir mais do que algumas horas de descanso e de aventura. Bem escrito e com algum humor, satisfaz quem o procura apenas para relaxar.

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