Acabei de chegar a casa, vinda de uma excelente semana de férias. Cheguei à minha casa onde o imenso calor que se sente é só o do dia, a escuridão é só dos estores fechados, as coisas estão todas seguras e nos sítios, as pessoas estão todas bem e de saúde.
Acabei de chegar a casa e deixar para trás, numa terra onde não está tanto calor, onde há praia e mar e piscina e avós fantásticos para tomar contar, o filho. Fica de férias mais uma semana, que as férias com os avós são das melhores coisas que lhe posso dar como tantas vezes refiro por aqui. Mas hoje deixei-o de coração pequenino. Custou-me vir embora e não o trazer comigo, junto ao peito, embalado nestes braços protetores de mãe.
Ele ficou bem, eu sei que sim. Mas as notícias com que me deitei ontem e hoje acordei, a tragédia que se abateu sobre tantas pessoas (entre mortos, feridos e todos os que não sabem nada dos que amam), o drama que se vive atualmente em Pedrógão Grande, deixa-me sem ar e de lágrimas nos olhos. Saber que uma amiga passou a noite toda sem ter notícias do marido que está lá numa aldeia, saber que uns pais foram em lua-de-mel e de repente perdem um filho, saber que há famílias inteiras que morreram juntas, em desespero, a tentar fugir pelas suas vidas. Não parece real. Mas é. E isso é o que custa mais. E é por isso que, nas tragédias da vida, só queremos ter os nossos por perto, apertá-los bem, dar a mão ao marido durante a viagem para casa, segurar o filho no colo e dar-lhe muitos beijinhos. E protegê-los de tudo.
Mas não posso proteger os meus do mundo lá fora. Por isso, refreio o coração pequenino, dou espaço à razão e deixo-os voar. O filho ficou com os avós. Já acordou da sesta, está a lanchar iogurte e melancia fresquinha, a seguir vai para a piscina rir e brincar e ser feliz. E é na felicidade dele que eu encontro a minha paz. Mesmo que continue de coração apertado por todas as pessoas que hoje não terão descanso, nem risos, nem paz. O meu coração pequenino está com elas.
domingo, 18 de junho de 2017
Coração pequenino
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